24.04.12 –Minhas ultimas 24h na Itália
foram igualmente divertidas. A chuva não deu trégua, e nos raros momentos de
sol, Fed e eu corríamos pro lado de fora em busca dos recantos mais bonitos da
cidade. Choveu tanto, meu guarda-chuva quebrou, meus tênis estavam ensopados.
Foi também o primeiro dia que sai sozinho, pois o Fed estava na universidade.
E como andar num labirinto de
ruelas e mar de gente, eu me perdi. Andei, andei, sem saber a direção. Mesmo com
mapa na mão, eu não era capaz de me localizar! Vale ressaltar que já experiente
em cidades grandes, como Belo Horizonte, Salvador, Londres, Paris e Roma,
dentro e fora do Brasil, essa foi a primeira vez que me perdi na vida! Além de
tudo, numa cidade pequena ¬¬
Tomando chuva, finalmente encontrei
um vendedor de guarda-chuvas, que ousou me cobrar € 10 por um! Haha, ele não sabe que eu venho do
Brasil, e sei reconhecer o abuso e negociar um preço justo. No fim, o pequeno
guarda-chuva vagabundo saiu por €
5, e valeria muito menos, dado o tamanho e a precariedade do mesmo. Era tanta
água e eu estava tão molhado nos pés, que me lembrei da minha infância quando
eu costumava fazer barquinhos de papel na hora da chuva. Corria pra rua e os
colocava na água para vê-los desaparecer...
Nesse meio termo, andando por ruas estreitas, eis que surge
uma senhora bem idosa no meu caminho. Andando com as pernas bem abertas e com o
corpo inclinado para frente, ela subitamente parou no meio da rua. Vendo a
cena, eu congelei. Ela foi abaixando e se inclinando ainda mais. Pensei que
iria ver o inimaginável na Europa. Antevi que ela se agacharia no meio da rua,
levantaria a sai e urinaria na frente de todos, para o meu pavor. Mas como
sempre, minha imaginação é muito mais rica que a realidade, ela só estava
tentando passar o capuz do casaco pra frente e cobrir sua cabeça..hahaha.
Depois de rodar como um peru bêbado, pelo norte da cidade,
fui encontrado pelo Fed. Depois do almoço, fomos visitar uma das ilhas mais afastadas.
Burano é famosa pelas suas casas com colorido vibrante. Segundo meu expert
guia, quando a ilha começou a ser habitada pelos pescadores, eles pintavam as casas
de cores diferentes para se lembrarem das suas casas no retorno. Com o passar do tempo, a moda pegou e virou uma característica da
cidade, e uma atração para os turistas.
Em Burano é possível encontrar outro tipo de curiosidade.
Como Veneza se trata de um conjunto de várias ilhas, os habitantes trazem gatos
para o local, a fim de evitar a proliferação de ratos. Como resultado, há um
crescente numero de bichanos nas redondezas. Assim, uma forma de manter os
gatos longes das casas e de sair por ai esguichando pipi pelo caminho é colocar
garrafas plásticas cheias de água em frente das casas. O Fed não sabe ao certo
dizer o que realmente faz os gatos ficarem longe, mas ele me assegurou que
funciona.
Uma hora dessas, já era hora de retornar. O sol estava no
céu ainda, mas já eram 18h. teríamos tempo de ver mais uma igreja pelo caminho.
E assim bater as ultimas fotos de Veneza, nesta viagem.
Não tenho palavras para agradecer ao Fed pela paciência e
disposição de me acompanhar todos os dias. De subir e descer inúmeras pontes,
haja perna! Muito obrigado por tudo. Obrigado também pela oportunidade de
conhecer teus amigos, alegres, divertidos e calorosos. Ciao!

