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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ciao!




24.04.12 –Minhas ultimas 24h na Itália foram igualmente divertidas. A chuva não deu trégua, e nos raros momentos de sol, Fed e eu corríamos pro lado de fora em busca dos recantos mais bonitos da cidade. Choveu tanto, meu guarda-chuva quebrou, meus tênis estavam ensopados. Foi também o primeiro dia que sai sozinho, pois o Fed estava na universidade. 

E como andar num labirinto de ruelas e mar de gente, eu me perdi. Andei, andei, sem saber a direção. Mesmo com mapa na mão, eu não era capaz de me localizar! Vale ressaltar que já experiente em cidades grandes, como Belo Horizonte, Salvador, Londres, Paris e Roma, dentro e fora do Brasil, essa foi a primeira vez que me perdi na vida! Além de tudo, numa cidade pequena ¬¬

Tomando chuva, finalmente encontrei um vendedor de guarda-chuvas, que ousou me cobrar € 10 por um! Haha, ele não sabe que eu venho do Brasil, e sei reconhecer o abuso e negociar um preço justo. No fim, o pequeno guarda-chuva vagabundo saiu por € 5, e valeria muito menos, dado o tamanho e a precariedade do mesmo. Era tanta água e eu estava tão molhado nos pés, que me lembrei da minha infância quando eu costumava fazer barquinhos de papel na hora da chuva. Corria pra rua e os colocava na água para vê-los desaparecer...

Nesse meio termo, andando por ruas estreitas, eis que surge uma senhora bem idosa no meu caminho. Andando com as pernas bem abertas e com o corpo inclinado para frente, ela subitamente parou no meio da rua. Vendo a cena, eu congelei. Ela foi abaixando e se inclinando ainda mais. Pensei que iria ver o inimaginável na Europa. Antevi que ela se agacharia no meio da rua, levantaria a sai e urinaria na frente de todos, para o meu pavor. Mas como sempre, minha imaginação é muito mais rica que a realidade, ela só estava tentando passar o capuz do casaco pra frente e cobrir sua cabeça..hahaha.

Depois de rodar como um peru bêbado, pelo norte da cidade, fui encontrado pelo Fed. Depois do almoço, fomos visitar uma das ilhas mais afastadas. Burano é famosa pelas suas casas com colorido vibrante. Segundo meu expert guia, quando a ilha começou a ser habitada pelos pescadores, eles pintavam as casas de cores diferentes para se lembrarem das suas casas no retorno. Com o passar do tempo, a moda pegou e virou uma característica da cidade, e uma atração para os turistas.

Em Burano é possível encontrar outro tipo de curiosidade. Como Veneza se trata de um conjunto de várias ilhas, os habitantes trazem gatos para o local, a fim de evitar a proliferação de ratos. Como resultado, há um crescente numero de bichanos nas redondezas. Assim, uma forma de manter os gatos longes das casas e de sair por ai esguichando pipi pelo caminho é colocar garrafas plásticas cheias de água em frente das casas. O Fed não sabe ao certo dizer o que realmente faz os gatos ficarem longe, mas ele me assegurou que funciona.

Uma hora dessas, já era hora de retornar. O sol estava no céu ainda, mas já eram 18h. teríamos tempo de ver mais uma igreja pelo caminho. E assim bater as ultimas fotos de Veneza, nesta viagem.

Não tenho palavras para agradecer ao Fed pela paciência e disposição de me acompanhar todos os dias. De subir e descer inúmeras pontes, haja perna! Muito obrigado por tudo. Obrigado também pela oportunidade de conhecer teus amigos, alegres, divertidos e calorosos. Ciao!














quinta-feira, 26 de abril de 2012

Veneza dos sentidos



 23.04.12 – Veneza é uma cidade extremamente sensorial. A sua beleza característica dos canais e da arquitetura são mundialmente conhecidas. O que pouca gente conhece são os outros sentidos evocados pela cidade mercante. Músicos estão por toda parte entoando partes de óperas nas gôndolas, bandas em frente aos restaurantes famosos, impossível não se deixar envolver por esse encanto.

Os odores também preenchem parte deste cenário. A comida aqui é extremamente cheirosa e obriga a uma paradinha para verificar o que há. Desde pizzas gigantes, até peixes frescos, pães, salgados. Tudo é muito convidativo. 

Hoje almoçamos vários tipos de peixes, assados, fritos e cozidos, com vinho. O que além de cheiroso, estava delicioso. Os sabores são fantásticos. Até mesmo um simples petisco é caprichado na aparência, cheiro e sabor. 

Hoje também foi meu dia de atravessar de uma ilha pra outra com o “Gondolino”, muito mais modesto que um passeio de Gôndola que custa entre € 100-150, a travessia custou apenas € 0,50 e apenas 2 minutos. Mas valeu a foto.


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Venezia


22.04.12 –
Às quatro e meia já estava de pé. Precisava chegar às 5 da madrugada na estação e pegar um ônibus de volta ao aeroporto de Fiumicino. Destino? Londres? Not yet. Venice. Depois de 45min de voo chegamos ao aeroporto Marco Polo. E lá encontrei meu amigo Fed que seria meu guia pela cidade. Deixamos minhas malas e fomos andar pela cidade. 

A primeira parada foi um barzinho local pra experimentar um vinho da casa e um pesticozinho local chamado “Crostini”, uma iguaria! A chuva nos pegou no meio do caminho, então andamos com muita dificuldade pelas ruas estreitas e cheias de turistas e moradores, igualmente com seus guarda-chuvas, o que tornava tudo mais complicado. 

Apesar das adversidades, Veneza é um grande convite a se deixar levar pelas pequenas ruas e lojinhas. Mesmo com o céu nublado e chuva castigando, tudo parece muito calmo e tranquilo sem transito e barulho de carros. Apenas pessoas e gôndolas, numa charmosa sintonia com a paisagem ao redor. A cor do canal é de um verde pérola transparente lindíssimo. Apesar do Fed ter me dito que a água é suja, pois algumas casas lançam os dejetos no canal. 

Voltamos e almoçamos a famosa lasanha italiana, feita pela Chiara, amiga do Fed. Éramos nós três, mais Ariana e Karol (um rapaz). Depois de um descanso, saímos novamente no finalzinho da tarde para aproveitar a trégua da chuva. A proposta do Fed, muito boa por sinal, era de evitar os lugares e ruas mais cheios de turistas, para ganharmos tempo e vermos locais que os turistas usualmente não veem. As fotos ficaram “boníssimas”, como vocês podem conferir.







O dia terminou com mais lasanha e um frango assado de forno, obras da Chiara, uma boa cozinheira! Uma boa conversa em italiano. Não que eu tenha conversado muito, mas tentava entender o que eles conversavam. Assim, meu italiano vai ficar melhor que o inglês.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Lux in Roma



19.04.12 - Como é bom dormir numa cama confortável. E como é bom um banho quente, se barbear e tomar o rumo da rua, tendo o dia todo pela frente. A quinta-feira começou nublada na capital italiana, as promessas da previsão de tempo eram de chuva para o dia todo. Caminhei cerca de 20 min pelo centro romano em direção à Plazza Veneza, um belíssimo prédio, que abriga um museu do Risorgimento. 

Depois de uma rápida exploração pelo museu, cuja coleção abriga essencialmente a formação do estado italiano (e que por sinal esclareceu uma dúvida antiga – sobre o porque da união Italiana com a Prússia contra os Aliados na I Guerra Mundial), fui à basílica ao lado, Arc de Manic. As igrejas italianas lembram mais as igrejas do Brasil, especialmente as de Belém, como a basílica de Nazaré e a Catedral da Sé. Riqueza e luxo foram os tijolos fundamentais destas igrejas.

Próxima parada Museu do Capitoglio, onde pude ver a exposição “Lux in Arcana”. Pra quem espera segredos revelados pela “Santa Sé”, não se empolgue muito. Os tais segredos são documentos antigos, que apenas estiveram guardados por muito tempo. Apesar disso, são muito interessantes, entre eles podemos ver a “Bula Inter Cetera” (onde o Papa da [época reconheceu a existência do continente americano e sua divisão entre Portugal e espanha) e o Tratado de Tordesilhas.
Cartas de Ana Bolena, Mary Stuart, excomunhão de Lutero, acusação de Galileu, condenação Giordano Bruno entre outros.

Nesta altura já tinha ido ao Teatro Marcelo, Pantheon e Plazza Novona. Mas as dores nas panturrilha, coxa, pés, calos, costas foram pedras a mais no meu caminho pelas estreitas ruas do centro histórico romano. Mas, como o cansaço é pra os fracos só terminei minha peregrinação às 19h, quando finalmente veio a chuva. E que chuva!

 Amanhã, Cidade do Vaticano.




segunda-feira, 23 de abril de 2012

Cidade Eterna

18.04.12 -

O dia amanheceu ensolarado e frio. Tomando coragem pra vencer mais um desafio imposto pelo romanos, sai do hotel Mari 1 rumo ao hotel Mari 2, onde o café da manhã é servido ¬¬ andei em direção à estação ferroviária. Lá tomei um parco café da manhã que nem se compara aos cafés servidos no Brasil, mesmo os cafés dos albergues! Lá tinha internet e tentei imprimir o comprovante pra trocar de quarto. Não achava o email ¬¬, a coisa ia ficar feia. Até que uma criatura enviada por Appolo falando inglês, a filha da “Nona”, tinha o meu comprovante. Resumindo, paguei a diferença, troquei de quarto e agora sim, estava num quarto decente, num banheiro limpo!

Deixei as malas e fui em direção ao Coliseu Romano. Depois de algum tempo andando, avistei uma outra coisa que me chamou a atenção. Era grande e verde. Era o Foro Romano! Desci em direção a ele. Pensando que se tratava apenas de uma pequena ruína, me deparei com um grande parque, que “preserva” (não sei até que ponto) as ruínas do Foro Imperial (conjunto de Foro Romano, Foro de Trajano e Curia Romana e o museu Palaci). Belíssimo jardins dispostos em vários níveis preenchem o antigo centro romano. As ruínas, como pilastras em mármore, arcos de Augustus e Titus estão espalhadas pelo terreno. Você paga 12 euros pra a visitação no Foro Romano, musueu e Coliseu. Muito mais barato que Paris!

Depois de andar por 3h entre os jardins, fui ao Coliseu. Muito mais impressionante do lado de fora que do lado de dentro, o Coliseu é uma construção que desafia o tempo. Ele nos surpreende pelo seu interior por ser totalmente diferente do que vemos nos filmes. Ao contrário de ser uma arena vazia, onde os cristãos esperavam para ser comidos pelos leões. A arena é um labirinto, repleta de portas e passagens, que obviamente tornava os duelos de gladiadores e almoço dos leões muito mais emocionantes.

Amanhã, Piazza Veneza. Ciao!

domingo, 22 de abril de 2012

Quem tem Boca vai à Roma

17.04.12 -

Meu dia começou às 7:45h da manha. Uma terça-feira chuvosa e fria, 6º positivos na capital de Oxfordshire. Era a segunda vez que deixava a Bretanha, uma ilha no continente europeu, pra ir mais ao interior. Mas desta vez, os ventos me levaram para o sul. Em direção ao mediterrâneo para ser mais exato.

Enquanto havia a alternância de chuva e sol em Oxford, eu me dirigia pra o aeroporto de Gatwick, ao sul de Londres. Meu destino era o aeroporto internacional de Fiumicino, sudoeste da capital italiana. Meu destino final era Roma.

No entanto, a aventura (como sempre) começou muito antes. Na véspera, pra ser mais exato faltando menos de 24 horas pro embarque, eu descobri que o hotel onde eu havia feito a reserva ficava fora de Roma. Segundo dois nativos, a região era muito longo do centro da cidade romana. Era impraticável um deslocamento diário pra quem iria passar o dia andando só retornando a noite.
Pra resolver este surto de bestiliadade que tomou conta de min, passei algum tempo tentando achar um outro local, mais ao centro, com mesmo preço e características do quarto...já viram o tamanho do meu problema né?

Neste ínterim, tinha uma despedida de um amigo que estava voltando pra Suécia. Tomamos uma cerveja e depois fomos pra um club de Jazz, que não tocou Jazz, haha. Mas uma banda de Rock, diretamente de New Jersey nos EUA para Oxford. Às 22h, voltei pra casa pra resolver este problema da hospedagem que com certeza ia tirar meu sono naquela noite, e minha paciência nos próximos dias na cidade Eterna.

Depois de algum tempo verificando e comparando, com a ajuda de um amigo romano, consegui achar um local na região central de Roma, com o mesmo preço e as mesmas condições do anterior! Eu só teria que andar pelo centro, haha. Eu tive muita sorte. 

Findada a procura pelo hotel, foi a hora de fechar a mala. Conferir pela ultima vez os documentos, maquina fotográfica, pilhas, livro pra viagem, roupas e frio e pronto!

Cheguei no aeroporto de Fiumicino às 19h da tarde, ou da noite como eles dizem. Noite pra mim é quando está escuro (haha), com o sol à pino, como pode ser noite?! Foi mais 1h de busu até Roma.
Depois de rodar meia hora como peru pela estação ferroviária, achei o hotel. E ai que metade dos meus problemas começaram. A única recepcionista no “hotel” era uma senhora que mal falava italiano, que dirá o inglês... Na pressa, eu havia esquecido de imprimir o comprovante de reserva, a velhinha também não tinha. Eu pensei em pedir ela pra ligar a internet do hotel, mas pelo andar da carruagem, achei melhor não pedir nada. Tentei baixar o comprovante pela internet do celular, mas a conexão estava fraca, e eu não estava afim de descer quatro andares de escada (isso mesmo!) e depois subir de novo. A velhinha fez uma ligação para um tal de Roberto, que pelo menos sabia falar inglês, e instruiu a “Nona” a me hospedar num quarto. Isso depois de 3 patadas que levei de graça por tentar falar em inglês com ela...

No quarto haviam 6 camas e não havia banheiro. 2 brasileiros estavam lá, um deles mineiro, falava mais que pobre na chuva, como diz a também mineira, Junia. O banheiro comunitário era a própria visão do inferno, com lodo, um Box de plástico que tocava o chão, o ralo entupido, apertado. Nessa altura, eu me perguntei, que país é esse?! A cama pequena e desconfortável, e barulhenta. Parte de cima do beliche, onde o mineiro estava deitado. Quando ele finalmente parou de falar e dormiu, eu pensei, agora vou conseguir descansar. Haha, ele começou o ronco mais feio que eu já vi em toda a minha vida! Aquilo era pior que um ronco, era um engasgo feio. Cada ronco parecia o ultimo suspiro de vida do rapaz. Tirando isso, o entra e sai característico de um quarto cheio de gente abrilhantava a minha noite que já passava das 23h, eu com muito sono, mas sem condições de me deixar tomar por ele.

Bem, estou ferrado, mas estou ferrado em Roma. Estou cansado, com sono e pronto pra amanhã!

sábado, 14 de abril de 2012

Ao redor do mundo

14.04.12 -
Idealizado para ser um relato das experiências de um estudante paraense nas terras do velho mundo, e, portanto bem mais modesto que o Beagle do Darwin. O diário do Beagle UK tem ultrapassado os limites culturais, e mesmo do Brasil e UK pra encontrar ávidos leitores em 3 continentes do globo! 

Vencendo as barreiras geográficas e linguísticas totalizamos leitores de 8 países (Brasil, RU, EUA, Alemanha, Russia, França, Austria, Noruega), nos continentes da América do Sul e do Norte, Europa e Ásia que acompanham avidamente as intrépidas conquistas, enganos, aprendizagem e “falhas nossas” deste viajante.

Neste ponto da viagem já contabilizamos 165 dias, 5 meses (ontem), 3690 horas e 3259 fotografias de descobertas e surpresas.

É meus queridos, já estamos aportando na metade do caminho. Parece que foi ontem que sai de Belém, com lágrimas nos olhos, e deixando um grupo de 8 pessoas igualmente aos prantos, a comitiva da saudade, hahaha.

Terça-feira, eu prometo mais aventuras, e relatos diários das novas experiências, desta vez mais ao sul...Fui!


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Primavera chegando


05.04.12 - Hoje, me assustei ao perceber que estou caminhando pra metade do meu estágio! Em maio se completarão 6 meses que deixei a saudosa e chuvosa Belém pra me aventurar deste lado do oceano...

Mas antes de completar os cinco meses de viagem do Beagle, parece que ainda estou lá no começinho, achando que tenho tudo ainda pra fazer, muito embora já esteja adaptado e funcionando ao modo Oxonian citizen.

Meus mais novos amigos, são Tamas, Carlos, Charlton e Jesus. Cada um de uma diferente nacionalidade! Com quem tenho passado algum tempo livre, tomando alguns chá das 5 e biscoitos de chocolate. Los Muchachos, como foram batizados por Carlos são muito divertidos e gostam de uma conversa e risadas. Bem, o que eu gosto mesmo de fazer.

Os dias estão mais longos agora, o clima mais ameno, e na companhia dos Muchachos tenho passeado e conhecido pedaços da cidade que passam desapercebidos pelos turistas. Aqui mesmo atrás de casa, e eu nunca tinha visto, a Iffley Village, um lugar muito bonito, mas como estava desprevenido, sem minha câmera, não pude registrar.

Saudade do Brasil? Sim, as pessoas fazem falta. Mas ainda tá cedo pra ficar pensando nisso, procuro não pensar em saudade, na minha vida no Brasil, no meu apartamento, no meu quarto, meu canto precioso. Procuro pensar no que ainda posso aproveitar, afinal ainda faltam 7 meses, ou seja a maior parte ainda está por vir, enquanto não cruar a barreira dos 6 meses.

Isso talvez, explique o fato de eu não pensar muito no retorno, nem morrer de tantas saudades. Estou bem focado, trabalhando muito, e aproveitando cada minuto. Como disse antes, até aqui as pessoas se viram pra mim e dizem que eu tenho muita sorte ("You're a fucking lucky man!"). Se realmente sou, deixa eu curtir como se tivesse numa realidade paralela. Vou fingir que o tempo parou fora daqui, e quando esses dois mundo se encontrarem de novo...deixa ver o que vai rolar.