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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Strassa allee




20.07.2012 – As palavras significam estrada e avenida, traduzindo pro português, não que eu esteja aprendendo alemãs, mas o básico eu tinha que saber.

Para fazer um break entre uma análise e outra, voltei à Alemanha por alguns dias. Muito trabalho na cabeça e uma viagem que estava sendo planejada por 3 meses no mínimo, caiu bem a calhar nesse verão chuvoso!

Entre Oxford e Berlin, foram 6h de viagem, contando desde a saída de casa até o destino final. É isso o que dá morar no interior, countryside boy. Exausto e com sono, entrei no trem e sentei num banco, esperando pacientemente pela minha estação. No meio do caminho, um cobrador de ticket (as pessoas entram no trem sem identificar o ticket) entrou e começou a pedir os tickets da galera. Feliz e contente por tem comprado meu ticket, mostrei a ele, e pra minha surpresa ele disse que não estava validado... Eu perguntei como poderia fazer isso. Ele respondeu dizendo que não podia ser feito, era pra ter sido feito antes da entrada no trem. Eu perguntei pra ele se era possível comprar outro ticket com ele na maquininha que ele carregava. Ele respondeu que não. Acrescentou dizendo que eu deveria pagar € 40,00...ou entregar-lhe meu passaporte...É claro que com o inglês complicado que ele falava a conversa não foi tão fácil assim, e nem mesmo estava disposto a entregar meu passaporte a um desconhecido. Mas pagar € 40,00...Enfim, depois de muitas perguntas e tentativas de encontrar outra solução, tive que desembolsar a grana em cash.


Passado o susto, e ter encontrado o Pee, tive que alimentar o bichano que habita meu estomago, o Thorndike, para quem não conhece. Devorei um galeto com salada, nunca pensei que comeria um galeto em Berlin! Barriga cheia, umas duas horas de sono e fui a uns dos momentos mais desafiadores de se estar em outro país com outra língua, ir ao supermercado. Quase confundo uma caixa de creme de leite com leite comum...


O objetivo principal da viagem era rever o Giovanni que se mudou pra Amsterdam, e que, portanto, não dividiríamos mais o apê em Belém. De quebra visitaríamos o Moritz e exploraríamos a Alemanha. No entanto, só depois de ter chegado é que descobri que o Giovanni não poderia viajar porque tinha se adoentado...O que fazer agora sem o meu companheiro de viagem??? Um plano que estava sendo idealizado havia meses. Mas, estava em Berlin e tinha que aproveitar. Conheci a Galeria do Lado Oeste (East Side Gallery ou simplesmente Muro de Berlin) e os Museus do Judaísmo, Charlie Check Point, Bode, da História de Berlin, do Holocausto, todos muito impressionantes, pra não dizer que o museu do Judaísmo nos deixa emocionados. São inúmeras as cartas incompletas deixadas pelos judeus. Cartas que nunca foram terminadas em virtude dos seus escritores terem sido interrompidos e sequestrados pela GESTAPO.

Depois de inúmeros passeios, chegou a hora de visitar o Moritz em Osnabrück, ao norte da Alemanha. Por meio de sistema muito bacana de contatos via internet, pessoas que estão viajando de carro publicam isso na página e pessoas sem carro (querendo fugir dos altos preços de trem) as contatam para dividirem a gasolina! Moritz organizou tudo pra mim, e assim peguei o carro do Nils, um publicitário que falava mais que pobre na chuva. Esse cidadão conseguiu falar as 5h de viagem entre Berlin e Osnabrück. Simplesmente, algo que um professor, como eu inveja profundamente.

No destino, Moritz e Chisato me recebem calorosamente. Como da última vez, Moritz vestia a camisa do Pará. Tive a honra também de abrir um casco de castanha que ele trouxe de Belém, e degustar desse sabor único do minha terra. Pra terminar a noite, na rádio local tocou “Boa Sorte” de Vanessa da Mata e Ben Harper \o/. Agradeci à Vanessa e ao Ben pelos votos, e desde então a maré resolveu ficar boa e soprar bons ventos depois de alguns percalços. No dia seguinte fomos dar uma volta pela cidade e conhecer a charmosa Universität Osnabrück, onde tirei lindas fotos da sua fonte e do parque.

No último dia de viagem, pegamos um trem em direção à Köln. No meio do caminho fizemos uma paradinha pra o Mortiz visitar seus avós, um casal de velhinhos muito simpáticos e engraçados. Rimos demais mesmo sem nos entender muito, uma vez que o inglês deles é limitado e o meu alemão é inexistente. Eles me fizeram lembrar do meu avô Gumercindo. Fiquei levemente nostálgico, saudoso.


A chuva era implacável, com alguns intervalos de céu nublado. A primeira coisa que se vê ao chegar na cidade é a imensa Catedral gótica que fica ao lado da estação de trem. Com mais de 157 metros de altitude e muitas torres, mais parece um desenho na fotografia. Ela, segundo Moritz é a segunda maior catedral católica do mundo, só perdendo pra Basílica de São Pedro, em Roma. Levou nada mais nada menos que 700 anos pra ser concluída, finalmente no século XIX, com o esforço de muitos príncipes alemães. A catedral é famosa também não só pelo seu monumental tamanho e beleza única, mas por acreditarem abrigar os restos mortais dos 3 reis magos que visitaram Jesus de Nazaré após seu nascimento.

Estávamos famintos (o Moritz vive assim, foi apelidado de Menino do Buchão pelo Giovanni, logo por quem...), então decidimos comer algo tipicamente alemão, o famoso Haxe (perna de porco) com sauerkraut (chucrute). Quase tive um fastio de tanta comida, boa, porém pra duas pessoas, não teve Júnior que aguentasse isso.


É apesar de ter curtido bastante, de ter me divertido com as brincadeiras do Moritz, o Giovanni fez falta. Com certeza, se ele tivesse lá, tudo teria sido mil vezes melhor. Fica pra próxima Gigio! Te espero em Oxford e London =)


domingo, 1 de julho de 2012

Acabou o Trinity...


01.07.12 - Acabou o Trinity, o último trimestre da Universidade. Chegou o verão, temperaturas mais amenas, um pouquinho mais de umidade que transparece e transpira à pele. A impressão que tive foi que o Trinity passou mais rápido que os demais, talvez pelo fato de estar na segunda metade do estágio. Talvez pelo fato de ter recebido amigos na cidade, e ter conhecido mais brasileiros. A vida social parece fazer o tempo passar, enquanto a acadêmica prefere se manter agarrada a ele.


Maio e Junho foram meses difíceis, os mais difíceis de todos até agora. Uma enxurrada de noticias ruins, recusas de resumos, de artigos. Dia das mães foi difícil. A saudade cresceu dentro do peito e tomou conta do quarto, da casa, do artigo, e até do clima frio lá fora. O sol do verão não se impôs como de costume. Tudo remeteu a uma ausência que me abraçou como uma sombra, da qual não pude me desfazer.

Senti na pele o distanciamento de alguns amigos. Me senti pela primeira vez sozinho. Estou preocupado com meus prazos, com minhas tarefas, não consigo dormir direito. Minha mente, sozinha no quarto escuro, teima em continuar trabalhando, viajando, falando, discutindo, examinando, sonhando acordada, e não dorme.

O mais importante, porém, foi tomar decisões, assumir novas posturas, rever conceitos, reinventar a maneira de viver. No momento mais que propício para encarar uma vida nova na nova vida, recebi com muita felicidade a notícia de que vou ser tio! A excitação é grande, estou ansioso pela chegada do meu sobrinho ou sobrinha.

Como já disse B. F. Skinner, as emoções são fortes indícios das contingências em vigor. Essas benditas contingências são muito novas, desafiadoras. Por mais incrível que pareça, elas me pedem pra fechar “gestalts” e abrir outras tantas que nem sei. No entanto, viver é um perigo sem o qual não é possível viver. Quando o coração sobressalta, temos certeza de que estamos vivendo.