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sábado, 26 de novembro de 2011

Cowley Life

Cowley Road é umas das vias principais de Oxford, em importancia, perde para o centro da cidade apenas. Ao lado da Iffley Road, Headington Road e Abington Road, Cowley é uma via expressa para os padrões oxfordianos, pois nada aqui é rápido, tudo é muito lento. Não que isso seja um problema haja vista que a cidade é muito organizada. Com indicações claras no Googles Maps, podemos ter a estimativa mais próxima da exatidão ao nos deslocarmos pela cidade, sendo possível chegar mais cedo, mas dificilmente atrasado. Contraditório né?

Bem, a Cowley Road dá nome ao bairro Cowley onde eu moro. Cowley é segundo centro comercial de Oxford, e mantem algumas caracteristicas de Oxford, me refiro aqui à arquitetura dos prédios e casas, uma vez que não há castelos fora do centro. Aqui também, é possivel encontrar diversos restaurantes e bares, lanchonetes, casas comerciais, que são com certeza menos "requitados" que os mesmos locais encontrados no centro, mas ainda assim de muito bom gosto para a decoração e bom tratamento aos clientes, alias, até hoje, mesmo quando pedi um sanduiche, fui super bem atendido, e sempre há alguem para perguntar se eu gostei do prato =D.

Aqui predominam as pessoas, talvez, não tão abastadas da cidade. Lugares mais frequentados pela nobreza são os bairros do centro (referido como Oxford - igualzinho a Belém, as pessoas que moram no centro tem mania se referir ao centro como se fosse sinônimo da cidade, enquanto o resto...), Jericho, Summertown e Marston. Aqui não é dificil encontrar brasileiros (ele estão andando pela cidade inteira) e outras etnias desse mundo a fora, como asiáticos, arábes e africanos. Minha casa fica aproximandamente a uns 10min de Cowley Centre, um percurso possível de se fazer de bicicleta, dando uma boa caminhada ou pegando um ônibus vermelho de dois andares para apreciar a sua paisagem pacata. Fico devendo uma foto pra vcs!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Comentários de amigos

Amigos a amigas,
peço que aqueles que não tem conta do gmail, ao deixarem comentários no blog, assinem ao final das mensagens, para eu responder diretamente, ok? Sem a assinatura não tem como saber quem deixou o comentário. Beijos e abraços e obrigado a todos pelos comentários e carinho. Adoro tudo que leio.

Jr.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Onion taste

24.11.11 - Acho que agora estou mais a vontade na cidade. Já conheço as principais vias, o tempo que leva de um lugar ao outro. Não sei se tem feito menos frio, ou já começo a me acostumar com ele. Só sei que tem ventado muito. Por outro lado, estar em outro país também é uma aventura culinária. São muitas coisas a serem experimentadas, com diferentes cores, diferentes sabores. Problema maior e não saber o nome de algumas delas, ou melhor, não saber o que elas significam nem no inglês, nem no português. O prazer da surpresa tem sido um tempero especial, pra macarronadas, carnes, frangos, lasanhas, e até mesmo saladas! Estou amando saladas aqui, e pra quem me conhece sabe que isso é inacreditável. A cebola é muito forte, não sei se é pq ela é roxa, e não costumo comer cebola roxa no Brasil, mas é muito forte, até parece apimentada.

Os restaurantes são um atrativo à parte. Lembram um pouco o Cosa Nostra, só que mais decorado e com aquele estilo inglês inconfundível. Eles tem muitos cartazes antigos nas paredes, o que dá também um aspecto bem retrô, porém sofisticado. São discos antigos, cartazes de shows que fizeram sucesso no passado, filmes. Os pratos são variados e os preços também, se vc pedir um sanduiche, ele é bem servido, praticamente uma refeição, vem com bastante salada, como tudo por aqui, e saem bem em "conta" para os padrões de Oxford.  Aqui tudo é muito caro. Talvez seja por isso que eles sejam em geral magros, comem pouco, tem que andar a pé ou de bike e comem muita salada, hehehe.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Lucky Day

22.11.11 - Como disse no post anterior, ontem encontrei na parada de ônibus, voltando pro albergue, uma senhora e seu namorado, Alice e Kevin. Ao perguntar a eles se a vizinhança era boa, ela me respondeu que sim, e meperguntou o motivo da pergunta. Eu disse que estava procurando um quarto pra alugar...Bem, a partir daí, passamos a conversar com certo grau de empolgação de ambas as partes, pq ela tem dois quartos pra alugar. Ela me deu o seu telefone e endereço, e depois de ligar hoje pela manhã, fui conhecer a casa. A casa tem um jardim muito bem cuidado, ao estilo de Oxford. Uma grande árvore, meio esquisita, mas bonita. As casas aqui não são muito grandes, nem os cômodos, mas a casa de Alice é espaçosa e confortável, pelo que eu estava acostumado a ver por aqui. Um parêntese, ela me disse que as pessoas sublocam suas casas para ganhar dinheiro. Eu já tinha percebido que só tinha falado com estrangeiros oferecendo quartos em suas residencias, mas não sabia porquê.

Desconfiava que eles eram mais receptivos. Na verdade, eles são pobres (os paquistaneses que vem morar aqui), o governo paga o aluguel pra eles, e eles se aproveitam pra sublocar os quartos pra estudantes estrangeiros e assim ganhar dinheiro...Por isso, os quartos são tão pequenos e tão caros. Em geral, são menos que as dependências de empregadas no Brasil...pra vcs terem uma noção do tamanho.

Voltando, Alice foi muito gentil em me mostrar sua casa, afinal eu era um completo estranho. Ela me serviu um bom chá e conversamos por uma hora. Mostrou os quartos, os banheiros, a cozinha, a sala de estar, nada muito grande, mas tudo muito agradável e confortável, com cara de casa, muito diferentes dos cubículos paquistaneses. Alice é uma mulher bem interessante, ela é voluntária de uma organização de atenção à saúde mental e namora Kevin, um senhor como ela. Alice foi casada, mas se tornou viuva, seus dois filhos vivem em Oxford nas casas das suas famílias. Devido ao seu trabalho voluntário, ela dá muito valor às relações sociais na recuperação dessas pessoas, nem preciso dizer que temos pontos em comum de trabalho né?


Ela se ofereceu pra ligar pra um médico, pq eu preciso ter um médico, segundo ela, em caso de necessidade. Ligou pra secretária e pediu informações sobre como é o processo de atender um estrangeiro. Muito gentil da parte dela. Bem, decidimos que me mudo amanhã pela manhã, antes de ir pra Universidade. Então finalmente terei endereço fixo, um quarto e poderei cozinhar minhas próprias refeições. Estou muito feliz em ter conhecido Alice, ela parece ser uma senhora muito gentil e acolhedora. Fez questão de dizer que era pessoa de confiança e amigável, que eu poderia levar alguns amigos pra casa se quisesse (coisa que niguém gosta aqui) e que eu poderia ouvir música, desde que não fosse muito alta =D

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A half-good day

21.11.11 - Ainda procurando casa. Tive certeza hoje que a corretora está me enrolando. Fizeram várias promessas que o quarto estaria pronto esta manhã, que há diversas pessoas procurando pelo quarto, só pra eu assinar o contrato. Como eu esperava, nada aconteceu, apenas mais promessas. Por outro lado, fiz um bom exercicio essa manhã, estava com meu notebook nas costas e com as botas que comprei ontem, resolvi fazer o caminho a pé. Cada bota dessa deve pesar mais de meio quilo de tão pesadas que são, isso sem falar no computador nas costas, meia hora de caminhada ida-e-volta...Também, abri minha conta no banco (a bolsa vem ai!), visitei outro quarto, muito pequeno, porém barato. Na volta conheci uma simpática senhora e seu marido que alugam quartos na casa para estudantes de línguas, amanhã vou agendar uma visita na casa, ela disse que não se importa com amigos na casa, coisa rara por aqui. Pra terminar algumas fotos que bati no final da manhã de hoje.

domingo, 20 de novembro de 2011

Domingo passado eu estava chegando aqui...

20.11.11 - ...e não sabia absolutamente nada sobre o lugar. Hoje, apesar de alguns probleminhas ainda acontecerem, eu já conheço o centro comercial, algumas áreas mais afastadas, conheço o Instituto, lugar onde vou trabalhar e já começo a me acostumar com frio, hehe.

Hoje sai pra comprar um casaco de chuva e um guarda-chuva, pois vai chover na terça, e não quero virar um pinto molhado congelado na rua. Hoje, aproveitei a manhã pra caminhar um pouco, sem pressa pelo centro, fui penchinchar (é assim que se escreve?). Comprei apenas uma bota, um número maior que o meu pé, pois os ingleses são parentes do pé grande, e não tem número menor que 40!!! Apertei bem a bota, preta é claro, marrom é cor de burro quando foge, e acho que ficou boa, calçei duas meias próprias pra botas, e ficou boa. Essa bicha pesa, é capaz até de matar se cair na cabeça de alguém.

Na loja, encontrei uma familia de brasileiros. Alias, não é muito difícil de encontrar brasileiros no centro da cidade, ou mesmo em Oxford como um todo, já falei com muitos, e com outros tantos encostei do lado e fingi que não entendi uma palavra do que falavam. Só pra brincar. A família, com a qual falei, estava comprando sapatos para os filhos irem à escola. Eram 3 filhos, e não deve ter sido barato, Oxford é uma cidade cara. O almoço e o jantar foram num lanche de rua, hoje tava afim de meter o pé na jaca e comer gorduragem, me esbaldei. Eu podia, afinal, estou comendo mais salada aqui que comi o ano inteiro no Brasil. A salada deles é ótima, dá vontade de comer só ela (quem diria?!). Outro dia devorei a salada do prato e uma porção extra que pedi por engano, delícia.

sábado, 19 de novembro de 2011


Uma semana em Oxford

19.11.11 - Nossa já se passou uma semana, e passou voando. A primeira semana de 52...Bem, comçei o dia com o pé esquerdo hoje. Aconteceram dois eventos que me deixaram chateado durante todo o dia. No primeiro deles, eu fui praticamente expulso do ônibus quando ia pra corretora. Deixa eu explicar, aqui você não paga uma taxa única pela passagem de ônibus, vc paga o trecho que vai utilizar. Então, vc paga mais barato se o trecho for curto, e paga mais se o trecho for maior. E pra fazer isso direitinho, vc precisa saber o nome da parada que vai descer, não adianta saber o endereço, é necessário saber o nome da parada...Bem, nem preciso dizer, que eu me enrolei todo até entender isso. E que essa tem sido a minha dificuldade com os motoristas de ônibus, a maioria deles não tem paciência com as pessoas que nâo sabem o nome das paradas. E nem todo mundo sabe o nome das paradas, claro, elas são muitas. Por isso, não ajuda muito perguntar. Bem, peguei o ônibus 3 em direção à Iffley Road, para descer na Aston Road, eu só não sabia o nome da parada. Então paguei uma passagem de ida e volta (é possivel e amis barato), e o motorista disse que ia me avisar quando estivesse próximo. Eu disse que sabia onde era, só não sabia o nome. Bem, não nos entendemos. Eu subi para o andar superior, e para a minha surpresa quando chegou na Iffley Road, o motorista parou o ônibus e fui me perguntar porque eu não estava no andar inferior. Ele provavelmente pensou que eu estav tentando trapaçear, pagar menos pra andar mais...Ai desci do andar discutindo com ele, ele abriu a porta do busu e ficou parado esperando eu descer...Foi muito constrangedor. Uma senhora que tinha ouvido nossa conversa, na entrada, me disse gentilmente que se eu andasse mais um pouco estaria na Aston Rd. Eu agradeci e desci do busu. Na verdade, eu já sabia que estava perto, pq anotei os nomes das ruas anteriores a minha, só não sabia o nome da parada. Bem, como já estava perto, andei 2 quarteirões e cheguei.

O segundo evento, foi ao chegar na casa que supostamente, eu vou alugar, não encontrei nenhum trabalhador fazendo os reparos que o quarto precisa, os quais foram prometidos a mim pela corretora ontem...Entrei e fui conversar com os moradores pra ter uma impressão da casa, de como eles vivem, se o relacionamento com os proprietários e corretora são bons etc. Bem, lá eu conheci somente a Keilen (não sei como se escreve), as outras moradoras não quiseram falar comigo. Keilen e seu namorado foram muito cordiais e gentis comigo me deixando entrar e tirando as minhas dúvidas. Lá eu pude ver que não tinha nem trabalhador, e que segundo Keilen, se eles tivessem de chegar já teriam chegado mais cedo, já eram quase meio dia. Depois de me despedir dos dois, e agradecer pela ajuda. Fui até a corretora, alguns quarteirões adiante e me perdi. Eu sabia onde estava, próximo à Cowley Road, onde eu estivera muitas vezes, mas já não lembrava a rua da corretora, nem a casa...Fui ficando cada vez mais frustrado. Perguntei, perguntei, mas achei o caminho sozinho. Bem, as pessoas com as quais eu falei ontem, não estavam lá, mas deixei um recado reafirmando meu interesse na casa condicionado aos reparos do quarto. Vamos ver onde isso vai dar.

À tarde, as coisas melhoram um pouco e meu humor melhorou. Fui ao centro da cidade com um colega de quarto, o Duane Dickens. Ele é formado em literatura pela Oxford, e contou o bafo que seria descendente de Charles Dickens. Bem, eu sou desconfiado, e não acreditei muito, mas que diferença vai fazer. Ele se mostrou disposto a fazer um tour, "e de graça até injeção na testa". Fomos ao College Saint James, um dos diversos colleges de Oxford, um lugar simplesmente espetacular. Belísssimo em cada detalhe e escultura (Fotos no Facebook). Depois visitamos o bairro de Jericho, muito tradicional e bonito. Depois de tanta andança, voltamos pro albergue para comer. Tentei ler, mas acabei pegando no sono. Dificil estudar nesse albergue, viu?

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Inicio da Aventura na Terra da Rainha


12.11.11 – sai de Belém às 17:50, com muitas lágrimas nos olhos, muitas saudades no coração. A última vez que veria essas pessoas dentro de um ano... Apesar da despedida um tanto sofrida, cheguei em Fortaleza confiante, o medo inicial passou. Meu voo pra Lisboa foi muito tranquilo, de onde estava não podia ver o oceano, especialmente por ser noite. Na chegada, um vácuo enorme que levou uma mão ao assento e a outra ao coração, por um minuto pensei que ia deixar de ser ateu e rezar ate a queda inevitável...

13.11.11 – Saída de Lisboa cheia de turbulência, mas a chegada foi tranquila. Londres do alto é muito linda, não via a hora de sair do avião e começar a viagem pra Oxford. Cheguei em Oxford eram 19:30h, tudo escuro, um frio de rachar e perdido, sem saber em que direção ir. O motora não fez a menor questão de me ajudar a encontrar o endereço do albergue, apontou pra uma direção qualquer e foi embora. Mas uma moça me indicou o caminho, e apesar do frio eu não fazia ideia de quanto, fui em linha reta e achei o albergue...

14.11.11 – Manhã nublada, nenhum um sinal de sol pra qualquer lugar que se olhasse. Ia primeiro à 51, Banbury Road, endereço da School of Anthropology and Museum of Ethnography, falar com Vicky Dean, secretaria da Faculdade (eles chamam escola) com quem troquei milhões de emails que não relatei pra vcs, para ter informações sobre o meu cartão de estudante (sem ele, não se entra em nenhum prédio da Universidade...), mas o frio era tão grande que resolvi mudar os planos e ir no shopping comprar roupa mais quente. Depois de um tempo perdido em meio as novas tendências do Outotono-Inverno, e calculando libras, comprei um kit anti-frio, que salvou meu dia.
Foi também minha primeira refeição de fato na cidade, um macarrão apimentando com frango, muito apimentado na Four Candles. Um lugar bem quentinho e agradável, com atendentes muito simpáticos, exceto por um loirinha que mais parece o “Ligeirinho”, aquele chocolate quente e rua!
Fui até a Examinations Schools (81, High Street) buscar meu cartão universitário. Lindo, com minha foto e nome nele, mais lindo ainda. Quem for à Oxford, fique atento. A High Street deixa de ser High Street em um determinado momento nas plaquinhas, mas continua sendo pra todos os efeitos, por isso prestem atenção!

15.11.11 – Conheci os irmãos Josh and Jonathan, dois americanos, que moram em Berlin, e vieram a Oxford a passeio. Me deram umas boas dicas sobre o frio e me convidaram a ir a Berlin, conhecer a cidade =D. Depois, fui à delegacia pra me registrar, infelizmente não podia, precisava de um endereço fixo...Volta pra casa e começa a procurar quarto pra alugar. Isso durou o dia inteiro e nada... Josh e Jonathan me ensinara o caminho do supermercado, fui às minhas primeiras compras, hehe.

16.11.11 – Acordei às 07h, fiz a barba, tomei meu café e voltei a Examinations Schools pra terminar meu registro na Universidade. Voltei correndo pra procurar quarto e comer, afinal, eu ia encontrar com Homi pela primeira vez...com a pontualidade característica dos ingleses, o Professor Robin Ian McDonald Dunbar chegou exatamente às 13h, fiquei surpreso, eu...bem, eu cheguei uma hora antes, só pra garantir e fazer a capa pro Homi, hehehehe.
Nossa conversa foi muito amigável, e ele me explicou algumas coisas sobre a universidade, até rimos. Se mostrou disponível pra quaisquer dúvidas e se eu precisasse de alguma coisa. Gostei dele =D
Agendei algumas visitas de casas, finalmente. Conheci uma neozelandesa, Mary, eu acho, que está viajando o mundo há quase um ano. Ela faz suas viagens a pé, e visita lugares de peregrinação espiritual, sem ser necessariamente ligados ao catolicismo. Uma pessoa super interessante, com uma vivencia muito particular de olhar o mundo. Ela me fez pensar sobre a rede social dela, já que ela não usa muito a internet, nem pra pse comunicar com a família! “Não gosto da sensação de ter meus amigos e família, perto de mim num clicar dedos no computador...prefiro manter um certo grau de distanciamento, a internet é interessante, mas gosto do distanciamento, de me sentir no meu mundo, pessoal”. Fiquei muito interessado por essa experiência, justamento o oposto do que eu procuro, procuro o contato, ver, tocar, sentir o calor num aperto de mão ou abraço. Ao menos ver as pessoas que amo e conversar com elas pelo face, MSN ou skype.

17.11.11 – Fui a 64, Banbury Road, Institute of Cognitive and Evolutionay Anthropology, assistir, como ouvinte a uma aula de mestrado do Dunbar. O prédio é propriedade do College Kellogs (da mesma marca da comida mesmo, eles também fundaram este college). O prédio, claro é histórico, e segundo o Dunbar, se um crime acontecer nas dependências de um college, é responsabilidade da direção do college tomar providencias. A policia pode não ser chamada, se eles decidirem assim. Eu fiquei obviamente chocado com isso. O Dunbar disse que isso é uma herança da Idade Média, onde os colleges foram fundados pelos monges, que não precisavam dar satisfação ao governo do Imperador. Essa situação se manteve até agora. Então, cuidado entrar num college na Inglaterra. Sua família nunca mais pode ver seu corpo...

Voltando às questões acadêmicas (bem menos interessantes), o curso é Human Evolution and Behaviour (com U no behaviour tá?). O curso já está no fim, começou mês passado, mas assisti a aula de Decisões Reprodutivas. Nas aulas, os alunos tem que ler o material e apresentar os pontos chave da discussão, mas não devem apresentar os textos (pelo menos foi isso que eu entendi, rs). Tal qual no Brasil, tem aqueles que apresentam, tem alguns pouco gatos pingados que fazem comentários, muito bom por sinal, mas a maioria fica calado e não tem perguntas a fazer. Eu que sou índio, e não tinha lido os textos (estava procurando casa, não sou vagabundo) fiquei calado. Ainda por cima não tinha dormido na a noite anterior por causa do dor na garganta, estava com sono e sentindo dor. Porém, pra me deixar boquiaberto, o Dunbar dava um show toda vez que falava. A maioria das coisas não eram novidade pra mim, já que era um curso de mestrado (sem desmerecimento, claro, mas eu já to calejado de certas questões em evolução humana ;D). mas quando o senhor Robin Dunbar falava, eu acordava do torpor do sono e da dor, e ficava impressionado com a capacidade dele de fazer relações entre as coisas, lembrar detalhes importantes que os alunos esqueceram, criticar os pontos fracos dos estudo demográficos, levantar dados históricos que aparentemente são usados para contestar a teoria da evolução, mas que podem ser interpretados por estudiosos mais experientes. Ele sempre perguntava, “vocês não aprenderam história da Europa na escola?” (sempre com um tom cínico e sarcástico – que descobri rapidamente ser típico dele, com um leve movimento de boca para a esquerda).

18.11.11 – depois de uma noite com muita dor na garganta e com dificuldades pra dormir em virtude dela, acordei super tarde e fui atrás de uma casa, estava pela primeira vez desde minha chegada à Inglaterra, superatrasado! Mas consegui chegar ao local, e ver a casa e o quarto. Pareceram bons, vamos ver se fico com eles...

História do Estágio

25.06.10 – O Diário do Beagle começou nesta data, mas precisa fazer um flashback pra contar um pouco dessa história...
...
23.10.07 – Enviei meu primeiro email ao professor Robin Dunbar. Expliquei a ele que fazia parte do Institutos do Milênio de Psicologia Evolucionista e que gostaria de realizar em minha pesquisa de mestrado uma investigação das redes sociais com seres humanos;

25.10.07 – O professor Dunbar responde ao meu email se dizendo interessado na pesquisa e que vai colaborar como puder \o/

07.08.07 – Peço se ele pode me conceder o questionário de Redes Sociais que ele desenvolveu

11.08.07 – O professor Dunbar manda o Q.R.S, o longo e o comprido XD. Corri o Laboratório de Psicologia, com a energia de um calouro. Nem pude acreditar que um pesquisador internacional tinha me mandado seus instrumento de pesquisa, assim, com a troca de dois emails, sem me conhecer nem nada!

20.11.07 – já me sentindo um “bro” do Dunbar eu pergunto a ele como ele está...a resposta simplesmente não veio...rs, mas ele me esclareceu detalhes do Q.R.S =D

18.04.08 – Dunbar me responde dizendo que gostou dos resultados do meu piloto: “So, well done!  This is a good study, and the results look very interesting” (Dunbar, 2008) XD

26.06.09 – Professor Dunbar diz que não pode vir ao Brasil devido ao Ano de Darwin =(

11.09.09 – Defendo minha dissertação de mestrado. Os resultados não confirmam a teoria de Dunbar...

19.05.10 – Passados dois meses do envio do resumo dos resultados da minha dissertação, o professor Dunbar diz que não teve tempo de ler...Pensei que fosse o anuncio do fim...

24.06.10 – Depois de tentar de diversas formas falar com o “Homi” (Dunbar) – email pros alunos, email pra outros professores, minha orientadora, professora Regina Brito me incentiva a escrever pra ele perguntando sobre a possibilidade de fazer o sanduíche em Oxford...
...

25.06.10 – Retomando: A resposta do “Homi” foi um: “Yes, it should be ok” – impossível descrever o que senti ao saber que ia estudar na Universidade de Oxford. Era época da copa do mundo de futebol, e a seleção brasileira tinha jogado contra Portugal, não lembro mais quem venceu, mas lembro que eu fui correndo pra sacada com a Junia gritar: Pega porra! É Inglaterra! Claro, a Junia é uma Lady e não gritou essas palavras de baixo calão. Mas foi ela quem leu a resposta dele, eu nem pude ler, imaginando um não do tamanho do mundo. Agarrei ela, rodei com ela, rodei, rodei e pulamos juntos! Fomos acordar o Doug, era aniversario dele, e por isso a alegria era dupla. Fomo comer um sushi pra comemorar, nós três e o Giovanni.

16.03.11 – dia em que o Dunbar me mandou a carta de aceitação de orientação. Uma carta linda, cheia de carimbos, e marcas d’água da universidade e do Instituto de Antropologia Cognitiva e Evolutiva (ICEA). Todo mundo baba quando vê a carta, RS.

11.04.11 -  Qualifico meu projeto de doutorado, bem avaliado pelos 4 pareceristas e o entusiasmo fundamental da Regina. Não constava oficialmente no projeto, mas eu prometia uma futura comparação entre os dados dos estudantes brasileiros e os “oxfordians”. Com isso, e a publicação do meu artigo no final do ano anterior, estava com todos os creditos necessários e mais do que necessários par me candidatar ao sanduiche.

14.04.11 – efetuo minha candidatura junto a CAPES para receber a bolsa sanduiche!

10.06.11 – realizo minha prova do TOEFL. Confesso que estava muito ansioso, pois a prova é cara, eu tinha pago aulas particulares, e não queria fazer isso de novo. A prova foi horrível, demorada, cansativa, o lugar pequeno e barulhento, com muitas pessoas fazendo a prova ao mesmo tempo para esse espaço diminuto. Sai arrasado, achando que teria que fazer novamente...só consegui chegar em casa e dormir. 

25.06.11 -  o resultado do TOEFL saiu...eu fiquei com alguns pontos a mais do que precisava e saímos pra comemorar no Donna Noite. Awesome!

13.07.11 – os meses passavam a CAPES não dava uma resposta...estava ficando aborrecido, imaginando que tudo ia ficar pra cima da hora: visto, submissões etc.

01.08.11 – Como previsto, a CAPES deixou pra me avisar que meu processo tinha sido aprovado no ultimo dia. Aqui começou a correria com as documentação, eu teria 30 dias pra resolver tudo, será que seria suficiente...?

31.08.11 – recebo os documentos da universide de Oxford que me permitiriam entrar nos prédios, e ser aceito para o estágio. Bem, não viajei no dia seguinte...

02.09.11 – recebo o aceite da Universidade. A partir de agora são muitos detalhes, por isso vou omitir o que for desncessário ou repeptitivo, pois foram muitas coisas que aconteceram. No entanto, restaram as taxas da Universidade para pagar. Eu não tinha o dinheiro. Não podia tirar o visto. Como fazer? A UFPA estudava uma solução pra me ajudar...

05.09.11 – Começo a receber emails do ICEA, e cada um que chega dói no peito, eu deveria estar lá uma hora dessas...e minhas esperanças estão me deixando...

22.09.11 – Sem conseguir uma solução pro meu caso, a PROINTER é acionada pra tentar negociar com a Universidade de Oxford uma alternativa para a minha situação.

30.09.11 – A secretária da PROINTER, Laura Diva, uma pessoa super experiente em negociações internacionais de difícil solução, com ampla experiência no Erasmus Mundus, manda uma carta pro Dunbar, explicando a situação. Nunca niguem tinha falado tanta coisa bonita a meu respeito, hehehe, babei.

06.10.11 – O Homi respondeu. Ele disse que eu fui aceito sem a necessidade de pagar pelas taxas. Elas foram dispensadas!!! Depois de semanas de sofrimento, um alivio tão grande. Eu ia!

24.10.11 – Fui à Brasilia tirar meu visto. Um medo incomensurável de ser rejeitado por eu ter esquecido algum documento importante e não poder entrar no RU por 10 anos...Isso mesmo, 10 anos...Aproveitei pra conhecer a Capital =D.

28.10.11 -  resposta positiva da Agencia da Grã-Bretanha de Fronteiras. Meu visto (ou como chamo carinhosamente, licença para aparatar) foi aprovado!

08.11.11 – minha documentação toda certa na CAPES, eles efetuaram a ordem de pagamento \o/

10.11.11 – meu mais novo amigo, Moritz, um alemão “patife” e que está fazendo o seu estágio em Belém, me ajudou a comprar as passagens...Nossa, eu mal podia acreditar que estava pronto, não faltava mais nada, eu estaria lá no domingo...não acreditei...

11.11.11 – ultima despedida. Reencontrei alguns amigos, alguns que não via muito tempo. Foi uma noite de despedidas e reflexão...muito tempo até nos vermos novamente...