13.12.11 - Um mês atrás, eu estava morto, ou perto disso. Fazia pouco mais de 24h que tinha deixado a minha Mangueirosa pra trás, em busca de novas conquistas. Estava cansado, com fome, com frio, mas uma excitação sem igual. Há semanas não dormia direito, cheguei até tomar um calmantezinho pra relaxar, muitas vezes, não conseguia. Tudo isso porque o processo foi longo e cansativo, com altos e baixos, momentos de muito estresse, mas no final, o prêmio maior.
Eu acho que devo ter passado as duas primeiras semanas em choque, tudo era novidade, tudo era estímulo, tudo era tenso. Ter que procurar comida, escolher, comprar, sem conhecer as marcas, sem ter ideia se era caro ou barato, fazendo cálculos, andando por ruas desconhecidas, sem saber a direção, procurando casa, procurando um pouco de sossego. Falar era difícil, entender era pior ainda, ainda mais que meu treino foi pra entender um inglês americano, não um inglês britânico, com palavras diferentes pra coisas que eu já conhecia. Parecia que eles cantavam sempre fazendo um som no final das palavras e frases, é meio melódico, novo, me confundia.
Hoje, passados os primeiros 30 dias, falar e entender já não são mais problemas, não que eu entenda tudo, mas já não preciso ficar com os olhos arregalados e com o pescoço inclinado pra frente. Já assisti seminários, discussões teóricas, reuni com o meu co-orientador, meu chefe, o estudo está fluindo e cada dia eu tenho mais trabalho pra fazer. Ele não está me poupando, nem a minha chefe, a orientadora, hehehe, né Rê? Mas está bom, não estou reclamando, está tudo indo melhor do que eu esperava até. Hoje mudei de sala e estou mais perto dos meus colegas doutorandos, isso quem sabe me ajude a fazer amizade entre eles, quem sabe me convidam pra tomar uma cerveja novamente...
A casa que consegui é boa, o quarto é confortável e aconchegante, passo grande parte do tempo nele quando estou em casa. Minha relação com Alice e o Kevin (namorado dela) é muito boa, conversamos, brincamos, nos ajudamos e tudo vai fluindo.
Já tenho minha bike e consigo me virar pela cidade sobre duas rodas, descubro atalhos, ruas menos movimentadas, descubro novos lugares pra comer. E mesmo de busu estou me virando muito bem.
Também arrumei tempo pra relaxar um pouco, já conheci dois pubs muito bons aqui. Conhecia algumas pessoas, eles gostam de brasileiros, impressionante, até agora ser brasileiro tem me garantido boas conversas.
Incrível como ainda não senti falta da minha casa, que eu adoro, nem do meu quarto, o lugar mais perfeito do mundo, nem da minha cama tão gostosa. Ainda devo estar na fase da novidade, não sei. Mas é bom, estou levando a vida aqui, concentrado no aqui e agora. Só sinto falta, é claro, das pessoas, da família (parentes e amigos). Mas o facebook e o msn me ajudam bastante nisso.
Hoje, pra comemorar esses 30 dias, meu trabalho com o Dunbar avançou, nevou um pouquinho só pra me deixar na vontade de me meter na neve, e peguei minha primeira chuva. Era uma chuva fraquinha, mas o vento era cortante, pensei que fosse chegar como um pinto molhado em casa, mas deu tudo certo.

Uma amiga minha passou um ano em Londres. Foi pra aperfeiçoar o inglês. Lembro muito das coisas que ela me falava quando leio teus posts, até que se parecem. No começo também ela não sentiu muito, mas depois começou a bater a saudade de um jeito meio doloroso. Que bom que está tudo bem por aí, Mauro. Tuas aventuras estão cada vez mais me convencendo a fazer o mesmo quando eu estiver no doutorado.
ResponderExcluirAbraços
Eric
Eric, tem mesmo que fazer. Lembro da Regina me dizer há muito tempo, que muito mais que o aprendizado acadêmico e as oportunidades de estudar em outro centro de pesquisa, que de fato são muito bons, mas o valor maior é o aprendizado cultural. Estava conversando outro dia com o genro da dona da casa onde moro, e disse pra ele, que morar num país tão diferente do seu, no clima, nos hábitos, é como aprender a viver novamente, vc tem que aprender a "ser como" eles, aprender com eles,pensar como eles. Isso óbvio, não faz vc deixar de ser brasileiro, mas amplia sua cabeça de um jeito sem igual.
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