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sábado, 24 de dezembro de 2011

Museu de História Natural de Londres (05.12.11)




24.12.11 – A expectativa era grande, pra um evolucionista, discípulo de Darwin, pensem vocês, era a primeira vez que visitava um museu dedicado à História Natural, ou seja, à Biologia, Paleontologia, Antropologia Evolucionária e Geologia!!!

O prédio impressiona pela sua beleza e opulência externas,gostaria de poder descrever qual o período da arquitetura que ele representa, mas não sou especialista, hehe. O seu vermelho se combina sóbria e interessantemente com o marrom, pelas curvas e colunas. Simplesmente belo.
Por dentro, o castelo, como prefiro chamar esses prédios antigos, não deixa a desejar, o salão principal recebe você com uma enorme representação de um dinossauro, de mais de 4 metros de altura e talvez 30 metros de comprimento, talvez um braquiossauro, se eu me lembro de alguma coisa. Ele divide e integra os diferentes salões temáticos (animais marinhos, primatas, dinossauros, mamíferos etc) ilustrados por diferentes cores. 

Cada salão é mais ou menos do tamanho de duas casas grande (padrões brasileiros), com reconstruções originais, replicas, textos, áudio e vídeos explicativos que vão desde a formação dentária de hipopótamos até o modo de vida e alimentação de dinossauros, e por fim o funcionamento do corpo humano da fecundação até aspectos relacionados à emoção, neurotransmissores e percepção, esta ultima tem alguns pequenos “experimentos” disponíveis pros visitantes, o que fez lembrar da Gestalt.

Apesar de todas essas maravilhas, eu sai triste...esperava ver mais sobre a evolução humana. Essa parte foi do tamanho do meu quarto 4X4 hahahaha. Havia muito detalhes e bem explicados, pra quem não é da área, mas pra quem é, nenhum novidade...aproveitei pra bater fotos das replicas, de alguns mapas, nada mais. O que u mais queria ver, não vi, um fóssil. Eu sei isso não tá lá, mas eu queria fiz bico pro museu. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011



20.12.11 – É meus amigos, falta pouco pro ano acabar. Acabou o Michaelmas aqui, e depois de amanhã começa o inverno. O Michaelmas é o primeiro dos três trimestres que existem na Universidade de Oxford. Ele começa sempre em Outubro, um pouco depois do inicio do Outono, e vai até meados de Dezembro, quando os alunos fazem as provas e trabalhos finais. No ICEA, os alunos de mestrado tiveram que entregar o esboço do seu projeto de dissertação. Depois do Michaelmas, em meados de Janeiro começa o Hilary e vai até 10 de Março, ai temos um intervalo pra inicio do ultimo trimestre o Trinity em 22 de Abril até 16 de Junho. Depois disso férias até o mês de Outubro! Maravilha não? 4 meses de férias, mais os intervalos! Pq não vim pra cá antes?! Hehehe. Aqui está tudo em clima de despedida pras festas, o Dunbar já tá de férias, a maior parte dos alunos também, o prédio está vazio...

Bem, tá vai começar o inverno. O piso fica coberto por uma fina camada de gelo toda vez que chove, e o risco de escorregar é grande. De antemão eu já comprei uma bota (superpesada) pro inverno que é mais aderente, mas há também um troçinho pra colocar na sola dos sapatos pra evitar as quedas. Outro dia o Kevin (namorado da Alice) caiu e se machucou, como ele é idoso isso pode ser perigoso. Agora ele já está usando o troçinho e andando seguramente pelas ruas. Até agora, só caiu neve há mais de uma semana e por apenas 10 min...anunciaram mais neve pros próximos dias, mas só tenho visto chuva, uó.

Não vejo a hora de ver tudo branquinho e brincar na neve como um verdadeiro menino cabloquinho que eu sou, hehehehe. Adeus Outono, até o ano que vem!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

1º mês

13.12.11 - Um mês atrás, eu estava morto, ou perto disso. Fazia pouco mais de 24h que tinha deixado a minha Mangueirosa pra trás, em busca de novas conquistas. Estava cansado, com fome, com frio, mas uma excitação sem igual. Há semanas não dormia direito, cheguei até tomar um calmantezinho pra relaxar, muitas vezes, não conseguia. Tudo isso porque o processo foi longo e cansativo, com altos e baixos, momentos de muito estresse, mas no final, o prêmio maior.

Eu acho que devo ter passado as duas primeiras semanas em choque, tudo era novidade, tudo era estímulo, tudo era tenso. Ter que procurar comida, escolher, comprar, sem conhecer as marcas, sem ter ideia se era caro ou barato, fazendo cálculos, andando por ruas desconhecidas, sem saber a direção, procurando casa, procurando um pouco de sossego. Falar era difícil, entender era pior ainda, ainda mais que meu treino foi pra entender um inglês americano, não um inglês britânico, com palavras diferentes pra coisas que eu já conhecia. Parecia que eles cantavam sempre fazendo um som no final das palavras e frases, é meio melódico, novo, me confundia.

Hoje, passados os primeiros 30 dias, falar e entender já não são mais problemas, não que eu entenda tudo, mas já não preciso ficar com os olhos arregalados e com o pescoço inclinado pra frente. Já assisti seminários, discussões teóricas, reuni com o meu co-orientador, meu chefe, o estudo está fluindo e cada dia eu tenho mais trabalho pra fazer. Ele não está me poupando, nem a minha chefe, a orientadora, hehehe, né Rê? Mas está bom, não estou reclamando, está tudo indo melhor do que eu esperava até. Hoje mudei de sala e estou mais perto dos meus colegas doutorandos, isso quem sabe me ajude a fazer amizade entre eles, quem sabe me convidam pra tomar uma cerveja novamente...

A casa que consegui é boa, o quarto é confortável e aconchegante, passo grande parte do tempo nele quando estou em casa. Minha relação com Alice e o Kevin (namorado dela) é muito boa, conversamos, brincamos, nos ajudamos e tudo vai fluindo.

Já tenho minha bike e consigo me virar pela cidade sobre duas rodas, descubro atalhos, ruas menos movimentadas, descubro novos lugares pra comer. E mesmo de busu estou me virando muito bem.
Também arrumei tempo pra relaxar um pouco, já conheci dois pubs muito bons aqui. Conhecia algumas pessoas, eles gostam de brasileiros, impressionante, até agora ser brasileiro tem me garantido boas conversas.

Incrível como ainda não senti falta da minha casa, que eu adoro, nem do meu quarto, o lugar mais perfeito do mundo, nem da minha cama tão gostosa. Ainda devo estar na fase da novidade, não sei. Mas é bom, estou levando a vida aqui, concentrado no aqui e agora. Só sinto falta, é claro, das pessoas, da família (parentes e amigos). Mas o facebook e o msn me ajudam bastante nisso.

Hoje, pra comemorar esses 30 dias, meu trabalho com o Dunbar avançou, nevou um pouquinho só pra me deixar na vontade de me meter na neve, e peguei minha primeira chuva. Era uma chuva fraquinha, mas o vento era cortante, pensei que fosse chegar como um pinto molhado em casa, mas deu tudo certo.

domingo, 11 de dezembro de 2011

London: primeiras impressões



05 e 09.12.11- Estive em Londres pela primeira vez, na segunda passada e voltei na sexta, e volto novamente amanhã. Passeio? Não, problemas com o Banco do Brasil, enfim...Londres é assustadoramente maior que Oxford, primeiro pelo trânsito caótico, levo metade do tempo da viagem só pra atravessar, pasmem 2 ruas, a Marylebone e a famosa Baker Street. Em ambos os dias perdi a manhã interia dentro do ônibus, não que a viagem seja muito longa, mas quando chega em Londres é de perder a paciência. Atenção meu povo de Belém e Ananindeua, só o engarrafamento da BR 316 se parece um pouco com isso. Em virtude disso não tive muito tempo pra aproveitar a capital, temos apenas 6 horas de sol, provavelmente, quando o inverno chegar daqui há duas semanas, teremos bem menos que isso. Por conta disso, quando cheguei ao Palacio de Buckingham, por volta das 16:30h já estav muito escuro e a foto da camera do celular não ficou boa.

Depois do trânsito, o que mais impressiona são os prédios gigantes e com arquitetura bem moderna. Aqui há também uma grande diversidade étnica, e as pessoas parecem pelo pouco que vi, conviver bem com isso. No entanto, uma coisa me chamou muito a atenção tanto em Londres quanto em Oxford. Mesmo com grande diversidade étnica e convivência cotidiana, há grande diferenças sociais aqui. É fácil encontrar ingleses nos postos de atendentes, garçons, caixas de supermercado, assim como negros e indianos nos postos de comando. Porém, maciçamente as pessoas de origem estrangeira ocupam cargos de serviço. O que remeteu ao post anterios, sobre a opinião da Alice, não que ela esteja certa ou errada, mas talvez as coisas sejam mais complicadas. Na estação de trêm Liverpool Street, uma das maiores de Londres e ao redos de grandes bancos e empresas nacionais e internacionais, a quantidade de pessoas de diferentes etnias não se compara nem ao Brasil, onde vemos por exemplo descendentes de brancos e negros em maior grau, e de indios em menor grau.

Os não caucasianos em sua maioria servem, enquanto os caucasianos são servidos. Isso me fez pensar em "exportação de pessoas pra servir". Essas pessoas provavelmente vieram de uma realidade muito difenrente, talvezm em busca de refugio, condições melhores de vida, emprego...E talvez tenham conseguido. Como cidaddãos britânciso têm direito a saúdes, educação, beneficios do governo, coisas que nunca teriam se estivessem ainda em seus paises de origem, não sei...Mas ainda assim, me fez pensar que mesmo tendo acesso ao básico, seriam eles cidadão de segunda classe? Fica ai uma pergunta pra ser estudada com mais detalhes.

Oxford: uma pequena cidade cosmopolita

11.12.11 - O nome da cidade de Oxford aparentemente deriva de Ox (boi) mais alguma coisa que ainda vou descobrir, hehe. Tem uma população de aproximadamente 165 mil habitantes, portanto é muito menor que Belém, por exemplo. Oxford fica a noroeste da capital Londres, cerca de uma hora e meia de ônibus. Por aqui também passa o Rio Tamisa, mas nessa região tem outro nome, rio Isis, por onde passo muitas vezes em direção ao ICEA.

Oxford é mundialmente conhecida por sediar a University of Oxford, considerada uma das 10 melhores universidades do mundo atualmente. Mas também existe aqui a Oxford Brookes University, com cursos, vamos dizer mais modernos. As duas universidades atraem estudantes do mundo inteiro, e não raro você andando pela rua é possível ouvir vários idiomas, como o chinês, japonês, linguas árabes que eu não sei definir, francês, espanhol e, como não podia ser diferente, o português brasileiro, com aquele sotaque e jeito de falar carcteristico da nossa terra. A diversidade étnica se revela a cada esquina, nas lojas, bancos, farmácias, restaurantes. Há sempre alguém com mapinha não mão, perguntando direções e falando uma lingua que não o inglês, ou o inglês com sotaque estrangeiro.

Mais diversidade ainda é encontrada no bairoo Cowley (o meu bairro), o qual parece ser um bairro de pessoas menos abastadas e de grande concetração de estrangeiros e estudantes de outras partes do país e do mundo. Aqui há muitos indianos, mulçumanos de uma maneira geral, paquistaneses e chineses, nesta ordem. Também há brasileiros aqui e ali, sexta passada tinha um casal no ônibus, fingi não entender o que eles falavam só pra poder ouvir alguma coisa em português. Segundo a proprietaria do quarto que eu aluguei, Alice, o governo britânico está permitindo a entrada de muitos estrangeiros pra terem residencia fixa aqui. Ela disse não ser contra a entrada de estrangeiros, mas acha que estão entrando demais, o que preocupa o emprego dos adultos jovens britânicos...

De qualquer modo, mesmo diante de toda essa diversidade, quando digo que sou brasileiro isso causa a surpresa das pessoas, elas logo pensam em "lugar quente", "praia", e claro, "futebol". Parece que a maioria dos alunos de fora devem vir pra estudar na Oxford Brookes University, porque quando digo que estudo na Universisity of Oxford, todos, eu disse todos, fazem uma cara de "você deve ser muito bom" ou então a cara que o meu mais recente amigo Moritz fez (alemão que mora em Belém atualmente), e ao final eles disse: respeito. Kkkkkkkkkkkkkkkkk. Em resumo a impressão que eu tenho é que todos esperam ouvir que eu vim pra estudar na Brookes e não na Oxford. A Oxford deve ser bem mais criteriosa ao aceitar alunos estrangeiros, o que eu senti na pele, sem falar no seu prestigio passado e atual.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Hogwarts Castle (Christ Church College and Cathedral)









03.12.11 - Tenho o prazer de anuncia que fui aceito numa das mais renomadas instituições de ensino do mundo mágico, Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry. Subi as escadarias do castelo, depois fui passear no jardim e por fim jantar no Hall do Castelo. Hahaha, brincadeiras a parte, hoje conheci o Christ Church College, o college foi cenário para muitas cenas da sequência de filmes do Harry Potter, como o hall de jantar, as escadarias e o jardim e corredores, onde por muitas vezes "the chosen one", Ron e Mione planejaram muitas das suas aventuras (segue o link do college sobre as filmagendes de HP: http://www.chch.ox.ac.uk/visiting/harry-potter ). E não é dificil imaginar porque foi escolhido, historicamente o college tem uma ligação com o fantástico e entreterimento infanto-juvenil. Aqui também estudou o autor de Alice in Wonderland, Lewis Carroll. Aqui também estudou ninguém mais, ninguém menos que John Locke, um dos grandes filósofos da Idade Moderna, propagador do pensamento Empirista (última foto). Assim como todos os colleges de Oxoford, o CCCC foi fundado na Idade Média, este especificamente no inicio do séc. XII. O mesmo é cercado por um enorme jardim externo, enorme mesmo, que muitas pessoas usam como parque pra correr e passear. Claro que pela beleza do lugar do jardim externo, do castelo em si e dos jardins internos, acaba atraindo muitos turistas. É um lugar imperdível para se ver quando estiver em Oxford.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Montando numa bike

02.12.11 - É minha gente, o meio de locomoção mais barato que tem por essas bandas é mesmo a bicicleta. Como tudo é perto, facilita muito as coisas, ter uma e poder andar livremente do mal humor dos motoristas de ônibus, rs. Eu acho que todo mundo ou quase todo mundo tem uma bicicleta aqui, de tão comum que elas são, de todos os preços, tamanhos, formatos, cores, com ou sem acessários. E por falar em acessórios, aqui é obrigado ter luzes e refletores nas bicletas, as melhores amigas dos moradores de Oxford. Os refletores ficam nas rodas, enquanto que o as luzes ficam atrás, ao lado da roda traseira, e outra na frente do guidon. Também é possivel, pra não dizer que é necessário ter um capacete, com sua respectiva luzinha. Os mais cautelosos colocam outra luz nas mochilas, ai parecem uma árvore de natal, vemelhos e brancos pra todas as direções!

A intenção era comprar um bike de segunda mão, já que ficarei apenas um ano (começo a cogitar um plano pra ficar mais, hehe). No entanto, depois de andar muito na Cowley Road (já fiz uma apresentação dessa avenida pra vcs em outro post), fui bater no Cycle King, a principio me pareceu um lugar caro, mas fui entrando, já aprendi que não dá pra ficar só olhando e tentando entender, é melhro entrar e perguntar. As bicicletas de segunda estavam muito velhas e mal cuidadas, e caras! Já disse pra vcs que aqui tudo é caro. Então me frustrei, achando que as novas deveriam ser muito mais caras ainda. O próprio atendente me levou até uma sessão de bikes novas, só que baratinhas. Me apaixonei a primeira vista, pra quem me conhece um pouco mais, sabe que eu sou assim, bateu o olho, gostou, levou. Ela é essa poçante aí de cima, cinza, com detalhes pretos - combinação que eu adoro.

Com o preço em relativamente em conta, se comparada às de segunda, montei na poçante e tomei o rumo da rua...E agora? Eu não conhecia as regras de trânsito, nem as regras das bicicletas. Nem nada. Como eu sou índio, mas não otário, já tinha prestado atenção nos nativos e observado o comportamento sobre as duas rodas. Aqui, uma bicleta é um carro de duas rodas. É preciso parar no sinal, mesmque não haja pedestres para atravessar, tem que dar sinal pra mudar de faixa (seja a das bicicletas, seja a dos carros), estendendo a mão na horizontal na direção que vc quer ir e ter coragem meter a bike na faixa dos carros e pedir que deus te proteja! Hehehe, sacanegem, os motoristas das 4 rodas andam sempre devagar e respeitam os ciclistas que têm preferência sempre, acima deles só os pedestres. E pra todos os cantos da cidade há estacionamentos de bicicletas, com uns suportes de metal em forma de U investido pra estacionar a sua companheira.

Com o tempo eu fui me adaptando, errando aqui, acolá, acertando outras. Fazendo meu caminho pro Instituto...alías, leva uns 15 min de casa pro Instituto, haja pedalada, minha perna tá mais grossa e minha barriga tá desaparecendo! Estou recuperando os quilos perdidos nas primeiras semanas, mas sem ganho de barriga! Isso é fantástico, pq a minha genética não favoreceu um tanquinho, sabe? Ai fica dificil. É verdade, e eu tenho que assumir que chego morrendo depois desse percurso, afinal lá se vão 3 meses sem academia, vivendo no ócio, e algumas vezes correndo no museu Emílio Goeld antes de vir pra cá. Mas eu tô sobrevivendo a isso. Até os professores têm bikes, acho que é por isso que todo mundo é magrinho aqui, come muita salada, anda, pedala, enfim, as pessoas me parecem muito saudáveis aqui.

E tem uma coisa que esqueci de mencionar sobre os acessórios. Não menos importante que as luzes e os refletores, são os cadeados! Não é bom sair do supermercado, cheio de sacolas e não encontrar a sua bike lhe esperando toda graciosa.

Projeto barriga de tanquinho, retomado!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Pounds and Pence

01.12.11 - Agora vamos falar de dinheiro. A moeda oficial no Reino Unido é a libra esterlina, que eles chamam de "pounds", enquanto que os centavos são chamados de "pence". A libra é mais valorizada que o Real, que o Euro e que o Dólar. Uma libra são 2,82 reais; ou 1,16 euros ou 1,56 dólares. Segundo informantes locais, mesmo não tendo aderido ao Euro, os ingleses têm que pagar para um fundo europeu, uma espéice de banco, a manutenção do Euro. Eles ficam fulos da vida com isso, uma vez que não usam a moeda europeia, sem falar na crise envolvendo o euro.

Em Oxford tudo é muito caro, comida, aluguel, carros, no entanto é possivel encontrar coisas baratas como roupas e comida (se você procurar bem no supermercado). Aqui tem uma loja a PRIMAX que deve ter em outros países europeus também. Ela é super barata, foi lá que fi minhas primeiras compras pra me aquecer do frio. Comprei bastante coisa e não foi caro, claro, que dei uma boa olhada nos preços mais em conta primeiro.

Como deu pra perceber pela foto, as moedas aqui têm diversos tamanhos e formatos. Tem moedas de um "centavo", dois, cinco, dez, vinte, cinquenta, uma libra e duas libras. No entanto, é muito confuso se orientar e decorar os valores, pq os mesmos não intuitivos pelo tamanho da moeda. Exemplo: a menor moeda é ade 5 centavos, depois vem a de 1 centavo, depois vem a de 20 centavos, depois vem a 10 centavos, depois a 2 centavos, ai pula pra moeda de 1 libra, depois volta pra moeda de 50 centavos, e por fim a moeda de 2 libras...Já viram como eu me embananei todinho com essa "lógica" né?

Fora que elas são muito sem graça, pois todas tem a foto da rainha na época que ela era jovem (ou seja a long time ago) e um outro desenho da real. As notas de 5, 10, 20 e 50 libras (ainda não vi se tem notas maiores) também não são lá essas coca-cola, de um lado aparece sempre  "Beth", do outro algum homem "importante", que não sei que é. A exceção é a nota abaixo, do grande Charles Darwin numa nota de 10 libras =D

One beer...

30.11.11 - Depois de uma dia puxado, com seminários, Journal Club (JC - uma espécie de seminário, porém mais discutida sobre algum artigo importante da área), ter trabalhado um pouquinho, decidi ir pra casa. Já era noite em Oxford, no entanto eram apenas 17:30h, o frio do inicio da noite sempre é pior que mais tarde, ainda não entendi porque. Ter que pedalar (yes, já comprei a minha bike, amanhã terá um post sobre ela) com esse vento que tem feito todos os dias, faz até a alma tremer.

Bem a tempo, surgiram a Ellie e outra moça que não sei o nome, ambas do doutorado, e me convidaram para ir "tomar uma cerveja no pub". Ora, em três semanas que estou aqui, ainda não tinham me chamado pra nada, eu aceitei. Quis perguntar se iriam somente nós três, mas achei bom manter a discrição e não perguntar. A garota sem nome já tinha sido muito cordial comigo na hora do almoço, fazendo questão que eu sentasse junto ao grupo (leia-se junto dela), além de sorrisinhos muito generosos pra minha pessoa quando nos encontrávamos nos corredores... O pub era na rua em frente a 64, Banbury (endereço do Instituto de Antropologia Cogtiva e Evolunária -tb haverá um post sobre ele). Lá já estavam alguns professore, não foi desse vez que tomeu cerveja com o Dunbar, ele não estava presente, mas outros estavam, além de um aluno de pós-doc e outro do doutorado.

Havia pedido uma Heineken, pois era a única que eu conhecia, mas só tinham cervejas inglesas. Opa, minha primeira cerveja inglesa, Fost alguma coisa, não me lembro hehehe. Boa, barata, numa taça grande...Delicia. Batemos um papo que foi a continuação da discussão do JC, um dos professores na mesa abomina a noção de aprendizagem operante..

Enfim, as cervejas começaram a acabar, as pessoas foram se levantando, até então não achei estranho, eram professores e possivelmente estavam indo pra casa cuidar das suas familias. Até que a Ellie foi embora também, o Rafael acabou a cerveja dele, e moça sem nome também. Minha cerveja tava quase no fim. E eles me perguntaram se eu ia ficar...Eu fiquei atônito, kkkkkkkkkk. O convite era só pra uma cerveja mesmo. Decepção total. Como diria a Vivi ou Preto (vulgo Flávio), não me chamem pra tomar uma cerveja, me chame pra tomar uma caixa. Porém, foi bom, gostei do convite, os alunos do doutorado foram bem mais simpáticos que os alunos do mestrado. E essa foi a minha primeira saída com o pessoal do Instituto pra tomar apenas "one beer"

sábado, 26 de novembro de 2011

Cowley Life

Cowley Road é umas das vias principais de Oxford, em importancia, perde para o centro da cidade apenas. Ao lado da Iffley Road, Headington Road e Abington Road, Cowley é uma via expressa para os padrões oxfordianos, pois nada aqui é rápido, tudo é muito lento. Não que isso seja um problema haja vista que a cidade é muito organizada. Com indicações claras no Googles Maps, podemos ter a estimativa mais próxima da exatidão ao nos deslocarmos pela cidade, sendo possível chegar mais cedo, mas dificilmente atrasado. Contraditório né?

Bem, a Cowley Road dá nome ao bairro Cowley onde eu moro. Cowley é segundo centro comercial de Oxford, e mantem algumas caracteristicas de Oxford, me refiro aqui à arquitetura dos prédios e casas, uma vez que não há castelos fora do centro. Aqui também, é possivel encontrar diversos restaurantes e bares, lanchonetes, casas comerciais, que são com certeza menos "requitados" que os mesmos locais encontrados no centro, mas ainda assim de muito bom gosto para a decoração e bom tratamento aos clientes, alias, até hoje, mesmo quando pedi um sanduiche, fui super bem atendido, e sempre há alguem para perguntar se eu gostei do prato =D.

Aqui predominam as pessoas, talvez, não tão abastadas da cidade. Lugares mais frequentados pela nobreza são os bairros do centro (referido como Oxford - igualzinho a Belém, as pessoas que moram no centro tem mania se referir ao centro como se fosse sinônimo da cidade, enquanto o resto...), Jericho, Summertown e Marston. Aqui não é dificil encontrar brasileiros (ele estão andando pela cidade inteira) e outras etnias desse mundo a fora, como asiáticos, arábes e africanos. Minha casa fica aproximandamente a uns 10min de Cowley Centre, um percurso possível de se fazer de bicicleta, dando uma boa caminhada ou pegando um ônibus vermelho de dois andares para apreciar a sua paisagem pacata. Fico devendo uma foto pra vcs!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Comentários de amigos

Amigos a amigas,
peço que aqueles que não tem conta do gmail, ao deixarem comentários no blog, assinem ao final das mensagens, para eu responder diretamente, ok? Sem a assinatura não tem como saber quem deixou o comentário. Beijos e abraços e obrigado a todos pelos comentários e carinho. Adoro tudo que leio.

Jr.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Onion taste

24.11.11 - Acho que agora estou mais a vontade na cidade. Já conheço as principais vias, o tempo que leva de um lugar ao outro. Não sei se tem feito menos frio, ou já começo a me acostumar com ele. Só sei que tem ventado muito. Por outro lado, estar em outro país também é uma aventura culinária. São muitas coisas a serem experimentadas, com diferentes cores, diferentes sabores. Problema maior e não saber o nome de algumas delas, ou melhor, não saber o que elas significam nem no inglês, nem no português. O prazer da surpresa tem sido um tempero especial, pra macarronadas, carnes, frangos, lasanhas, e até mesmo saladas! Estou amando saladas aqui, e pra quem me conhece sabe que isso é inacreditável. A cebola é muito forte, não sei se é pq ela é roxa, e não costumo comer cebola roxa no Brasil, mas é muito forte, até parece apimentada.

Os restaurantes são um atrativo à parte. Lembram um pouco o Cosa Nostra, só que mais decorado e com aquele estilo inglês inconfundível. Eles tem muitos cartazes antigos nas paredes, o que dá também um aspecto bem retrô, porém sofisticado. São discos antigos, cartazes de shows que fizeram sucesso no passado, filmes. Os pratos são variados e os preços também, se vc pedir um sanduiche, ele é bem servido, praticamente uma refeição, vem com bastante salada, como tudo por aqui, e saem bem em "conta" para os padrões de Oxford.  Aqui tudo é muito caro. Talvez seja por isso que eles sejam em geral magros, comem pouco, tem que andar a pé ou de bike e comem muita salada, hehehe.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Lucky Day

22.11.11 - Como disse no post anterior, ontem encontrei na parada de ônibus, voltando pro albergue, uma senhora e seu namorado, Alice e Kevin. Ao perguntar a eles se a vizinhança era boa, ela me respondeu que sim, e meperguntou o motivo da pergunta. Eu disse que estava procurando um quarto pra alugar...Bem, a partir daí, passamos a conversar com certo grau de empolgação de ambas as partes, pq ela tem dois quartos pra alugar. Ela me deu o seu telefone e endereço, e depois de ligar hoje pela manhã, fui conhecer a casa. A casa tem um jardim muito bem cuidado, ao estilo de Oxford. Uma grande árvore, meio esquisita, mas bonita. As casas aqui não são muito grandes, nem os cômodos, mas a casa de Alice é espaçosa e confortável, pelo que eu estava acostumado a ver por aqui. Um parêntese, ela me disse que as pessoas sublocam suas casas para ganhar dinheiro. Eu já tinha percebido que só tinha falado com estrangeiros oferecendo quartos em suas residencias, mas não sabia porquê.

Desconfiava que eles eram mais receptivos. Na verdade, eles são pobres (os paquistaneses que vem morar aqui), o governo paga o aluguel pra eles, e eles se aproveitam pra sublocar os quartos pra estudantes estrangeiros e assim ganhar dinheiro...Por isso, os quartos são tão pequenos e tão caros. Em geral, são menos que as dependências de empregadas no Brasil...pra vcs terem uma noção do tamanho.

Voltando, Alice foi muito gentil em me mostrar sua casa, afinal eu era um completo estranho. Ela me serviu um bom chá e conversamos por uma hora. Mostrou os quartos, os banheiros, a cozinha, a sala de estar, nada muito grande, mas tudo muito agradável e confortável, com cara de casa, muito diferentes dos cubículos paquistaneses. Alice é uma mulher bem interessante, ela é voluntária de uma organização de atenção à saúde mental e namora Kevin, um senhor como ela. Alice foi casada, mas se tornou viuva, seus dois filhos vivem em Oxford nas casas das suas famílias. Devido ao seu trabalho voluntário, ela dá muito valor às relações sociais na recuperação dessas pessoas, nem preciso dizer que temos pontos em comum de trabalho né?


Ela se ofereceu pra ligar pra um médico, pq eu preciso ter um médico, segundo ela, em caso de necessidade. Ligou pra secretária e pediu informações sobre como é o processo de atender um estrangeiro. Muito gentil da parte dela. Bem, decidimos que me mudo amanhã pela manhã, antes de ir pra Universidade. Então finalmente terei endereço fixo, um quarto e poderei cozinhar minhas próprias refeições. Estou muito feliz em ter conhecido Alice, ela parece ser uma senhora muito gentil e acolhedora. Fez questão de dizer que era pessoa de confiança e amigável, que eu poderia levar alguns amigos pra casa se quisesse (coisa que niguém gosta aqui) e que eu poderia ouvir música, desde que não fosse muito alta =D

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A half-good day

21.11.11 - Ainda procurando casa. Tive certeza hoje que a corretora está me enrolando. Fizeram várias promessas que o quarto estaria pronto esta manhã, que há diversas pessoas procurando pelo quarto, só pra eu assinar o contrato. Como eu esperava, nada aconteceu, apenas mais promessas. Por outro lado, fiz um bom exercicio essa manhã, estava com meu notebook nas costas e com as botas que comprei ontem, resolvi fazer o caminho a pé. Cada bota dessa deve pesar mais de meio quilo de tão pesadas que são, isso sem falar no computador nas costas, meia hora de caminhada ida-e-volta...Também, abri minha conta no banco (a bolsa vem ai!), visitei outro quarto, muito pequeno, porém barato. Na volta conheci uma simpática senhora e seu marido que alugam quartos na casa para estudantes de línguas, amanhã vou agendar uma visita na casa, ela disse que não se importa com amigos na casa, coisa rara por aqui. Pra terminar algumas fotos que bati no final da manhã de hoje.

domingo, 20 de novembro de 2011

Domingo passado eu estava chegando aqui...

20.11.11 - ...e não sabia absolutamente nada sobre o lugar. Hoje, apesar de alguns probleminhas ainda acontecerem, eu já conheço o centro comercial, algumas áreas mais afastadas, conheço o Instituto, lugar onde vou trabalhar e já começo a me acostumar com frio, hehe.

Hoje sai pra comprar um casaco de chuva e um guarda-chuva, pois vai chover na terça, e não quero virar um pinto molhado congelado na rua. Hoje, aproveitei a manhã pra caminhar um pouco, sem pressa pelo centro, fui penchinchar (é assim que se escreve?). Comprei apenas uma bota, um número maior que o meu pé, pois os ingleses são parentes do pé grande, e não tem número menor que 40!!! Apertei bem a bota, preta é claro, marrom é cor de burro quando foge, e acho que ficou boa, calçei duas meias próprias pra botas, e ficou boa. Essa bicha pesa, é capaz até de matar se cair na cabeça de alguém.

Na loja, encontrei uma familia de brasileiros. Alias, não é muito difícil de encontrar brasileiros no centro da cidade, ou mesmo em Oxford como um todo, já falei com muitos, e com outros tantos encostei do lado e fingi que não entendi uma palavra do que falavam. Só pra brincar. A família, com a qual falei, estava comprando sapatos para os filhos irem à escola. Eram 3 filhos, e não deve ter sido barato, Oxford é uma cidade cara. O almoço e o jantar foram num lanche de rua, hoje tava afim de meter o pé na jaca e comer gorduragem, me esbaldei. Eu podia, afinal, estou comendo mais salada aqui que comi o ano inteiro no Brasil. A salada deles é ótima, dá vontade de comer só ela (quem diria?!). Outro dia devorei a salada do prato e uma porção extra que pedi por engano, delícia.

sábado, 19 de novembro de 2011


Uma semana em Oxford

19.11.11 - Nossa já se passou uma semana, e passou voando. A primeira semana de 52...Bem, comçei o dia com o pé esquerdo hoje. Aconteceram dois eventos que me deixaram chateado durante todo o dia. No primeiro deles, eu fui praticamente expulso do ônibus quando ia pra corretora. Deixa eu explicar, aqui você não paga uma taxa única pela passagem de ônibus, vc paga o trecho que vai utilizar. Então, vc paga mais barato se o trecho for curto, e paga mais se o trecho for maior. E pra fazer isso direitinho, vc precisa saber o nome da parada que vai descer, não adianta saber o endereço, é necessário saber o nome da parada...Bem, nem preciso dizer, que eu me enrolei todo até entender isso. E que essa tem sido a minha dificuldade com os motoristas de ônibus, a maioria deles não tem paciência com as pessoas que nâo sabem o nome das paradas. E nem todo mundo sabe o nome das paradas, claro, elas são muitas. Por isso, não ajuda muito perguntar. Bem, peguei o ônibus 3 em direção à Iffley Road, para descer na Aston Road, eu só não sabia o nome da parada. Então paguei uma passagem de ida e volta (é possivel e amis barato), e o motorista disse que ia me avisar quando estivesse próximo. Eu disse que sabia onde era, só não sabia o nome. Bem, não nos entendemos. Eu subi para o andar superior, e para a minha surpresa quando chegou na Iffley Road, o motorista parou o ônibus e fui me perguntar porque eu não estava no andar inferior. Ele provavelmente pensou que eu estav tentando trapaçear, pagar menos pra andar mais...Ai desci do andar discutindo com ele, ele abriu a porta do busu e ficou parado esperando eu descer...Foi muito constrangedor. Uma senhora que tinha ouvido nossa conversa, na entrada, me disse gentilmente que se eu andasse mais um pouco estaria na Aston Rd. Eu agradeci e desci do busu. Na verdade, eu já sabia que estava perto, pq anotei os nomes das ruas anteriores a minha, só não sabia o nome da parada. Bem, como já estava perto, andei 2 quarteirões e cheguei.

O segundo evento, foi ao chegar na casa que supostamente, eu vou alugar, não encontrei nenhum trabalhador fazendo os reparos que o quarto precisa, os quais foram prometidos a mim pela corretora ontem...Entrei e fui conversar com os moradores pra ter uma impressão da casa, de como eles vivem, se o relacionamento com os proprietários e corretora são bons etc. Bem, lá eu conheci somente a Keilen (não sei como se escreve), as outras moradoras não quiseram falar comigo. Keilen e seu namorado foram muito cordiais e gentis comigo me deixando entrar e tirando as minhas dúvidas. Lá eu pude ver que não tinha nem trabalhador, e que segundo Keilen, se eles tivessem de chegar já teriam chegado mais cedo, já eram quase meio dia. Depois de me despedir dos dois, e agradecer pela ajuda. Fui até a corretora, alguns quarteirões adiante e me perdi. Eu sabia onde estava, próximo à Cowley Road, onde eu estivera muitas vezes, mas já não lembrava a rua da corretora, nem a casa...Fui ficando cada vez mais frustrado. Perguntei, perguntei, mas achei o caminho sozinho. Bem, as pessoas com as quais eu falei ontem, não estavam lá, mas deixei um recado reafirmando meu interesse na casa condicionado aos reparos do quarto. Vamos ver onde isso vai dar.

À tarde, as coisas melhoram um pouco e meu humor melhorou. Fui ao centro da cidade com um colega de quarto, o Duane Dickens. Ele é formado em literatura pela Oxford, e contou o bafo que seria descendente de Charles Dickens. Bem, eu sou desconfiado, e não acreditei muito, mas que diferença vai fazer. Ele se mostrou disposto a fazer um tour, "e de graça até injeção na testa". Fomos ao College Saint James, um dos diversos colleges de Oxford, um lugar simplesmente espetacular. Belísssimo em cada detalhe e escultura (Fotos no Facebook). Depois visitamos o bairro de Jericho, muito tradicional e bonito. Depois de tanta andança, voltamos pro albergue para comer. Tentei ler, mas acabei pegando no sono. Dificil estudar nesse albergue, viu?

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Inicio da Aventura na Terra da Rainha


12.11.11 – sai de Belém às 17:50, com muitas lágrimas nos olhos, muitas saudades no coração. A última vez que veria essas pessoas dentro de um ano... Apesar da despedida um tanto sofrida, cheguei em Fortaleza confiante, o medo inicial passou. Meu voo pra Lisboa foi muito tranquilo, de onde estava não podia ver o oceano, especialmente por ser noite. Na chegada, um vácuo enorme que levou uma mão ao assento e a outra ao coração, por um minuto pensei que ia deixar de ser ateu e rezar ate a queda inevitável...

13.11.11 – Saída de Lisboa cheia de turbulência, mas a chegada foi tranquila. Londres do alto é muito linda, não via a hora de sair do avião e começar a viagem pra Oxford. Cheguei em Oxford eram 19:30h, tudo escuro, um frio de rachar e perdido, sem saber em que direção ir. O motora não fez a menor questão de me ajudar a encontrar o endereço do albergue, apontou pra uma direção qualquer e foi embora. Mas uma moça me indicou o caminho, e apesar do frio eu não fazia ideia de quanto, fui em linha reta e achei o albergue...

14.11.11 – Manhã nublada, nenhum um sinal de sol pra qualquer lugar que se olhasse. Ia primeiro à 51, Banbury Road, endereço da School of Anthropology and Museum of Ethnography, falar com Vicky Dean, secretaria da Faculdade (eles chamam escola) com quem troquei milhões de emails que não relatei pra vcs, para ter informações sobre o meu cartão de estudante (sem ele, não se entra em nenhum prédio da Universidade...), mas o frio era tão grande que resolvi mudar os planos e ir no shopping comprar roupa mais quente. Depois de um tempo perdido em meio as novas tendências do Outotono-Inverno, e calculando libras, comprei um kit anti-frio, que salvou meu dia.
Foi também minha primeira refeição de fato na cidade, um macarrão apimentando com frango, muito apimentado na Four Candles. Um lugar bem quentinho e agradável, com atendentes muito simpáticos, exceto por um loirinha que mais parece o “Ligeirinho”, aquele chocolate quente e rua!
Fui até a Examinations Schools (81, High Street) buscar meu cartão universitário. Lindo, com minha foto e nome nele, mais lindo ainda. Quem for à Oxford, fique atento. A High Street deixa de ser High Street em um determinado momento nas plaquinhas, mas continua sendo pra todos os efeitos, por isso prestem atenção!

15.11.11 – Conheci os irmãos Josh and Jonathan, dois americanos, que moram em Berlin, e vieram a Oxford a passeio. Me deram umas boas dicas sobre o frio e me convidaram a ir a Berlin, conhecer a cidade =D. Depois, fui à delegacia pra me registrar, infelizmente não podia, precisava de um endereço fixo...Volta pra casa e começa a procurar quarto pra alugar. Isso durou o dia inteiro e nada... Josh e Jonathan me ensinara o caminho do supermercado, fui às minhas primeiras compras, hehe.

16.11.11 – Acordei às 07h, fiz a barba, tomei meu café e voltei a Examinations Schools pra terminar meu registro na Universidade. Voltei correndo pra procurar quarto e comer, afinal, eu ia encontrar com Homi pela primeira vez...com a pontualidade característica dos ingleses, o Professor Robin Ian McDonald Dunbar chegou exatamente às 13h, fiquei surpreso, eu...bem, eu cheguei uma hora antes, só pra garantir e fazer a capa pro Homi, hehehehe.
Nossa conversa foi muito amigável, e ele me explicou algumas coisas sobre a universidade, até rimos. Se mostrou disponível pra quaisquer dúvidas e se eu precisasse de alguma coisa. Gostei dele =D
Agendei algumas visitas de casas, finalmente. Conheci uma neozelandesa, Mary, eu acho, que está viajando o mundo há quase um ano. Ela faz suas viagens a pé, e visita lugares de peregrinação espiritual, sem ser necessariamente ligados ao catolicismo. Uma pessoa super interessante, com uma vivencia muito particular de olhar o mundo. Ela me fez pensar sobre a rede social dela, já que ela não usa muito a internet, nem pra pse comunicar com a família! “Não gosto da sensação de ter meus amigos e família, perto de mim num clicar dedos no computador...prefiro manter um certo grau de distanciamento, a internet é interessante, mas gosto do distanciamento, de me sentir no meu mundo, pessoal”. Fiquei muito interessado por essa experiência, justamento o oposto do que eu procuro, procuro o contato, ver, tocar, sentir o calor num aperto de mão ou abraço. Ao menos ver as pessoas que amo e conversar com elas pelo face, MSN ou skype.

17.11.11 – Fui a 64, Banbury Road, Institute of Cognitive and Evolutionay Anthropology, assistir, como ouvinte a uma aula de mestrado do Dunbar. O prédio é propriedade do College Kellogs (da mesma marca da comida mesmo, eles também fundaram este college). O prédio, claro é histórico, e segundo o Dunbar, se um crime acontecer nas dependências de um college, é responsabilidade da direção do college tomar providencias. A policia pode não ser chamada, se eles decidirem assim. Eu fiquei obviamente chocado com isso. O Dunbar disse que isso é uma herança da Idade Média, onde os colleges foram fundados pelos monges, que não precisavam dar satisfação ao governo do Imperador. Essa situação se manteve até agora. Então, cuidado entrar num college na Inglaterra. Sua família nunca mais pode ver seu corpo...

Voltando às questões acadêmicas (bem menos interessantes), o curso é Human Evolution and Behaviour (com U no behaviour tá?). O curso já está no fim, começou mês passado, mas assisti a aula de Decisões Reprodutivas. Nas aulas, os alunos tem que ler o material e apresentar os pontos chave da discussão, mas não devem apresentar os textos (pelo menos foi isso que eu entendi, rs). Tal qual no Brasil, tem aqueles que apresentam, tem alguns pouco gatos pingados que fazem comentários, muito bom por sinal, mas a maioria fica calado e não tem perguntas a fazer. Eu que sou índio, e não tinha lido os textos (estava procurando casa, não sou vagabundo) fiquei calado. Ainda por cima não tinha dormido na a noite anterior por causa do dor na garganta, estava com sono e sentindo dor. Porém, pra me deixar boquiaberto, o Dunbar dava um show toda vez que falava. A maioria das coisas não eram novidade pra mim, já que era um curso de mestrado (sem desmerecimento, claro, mas eu já to calejado de certas questões em evolução humana ;D). mas quando o senhor Robin Dunbar falava, eu acordava do torpor do sono e da dor, e ficava impressionado com a capacidade dele de fazer relações entre as coisas, lembrar detalhes importantes que os alunos esqueceram, criticar os pontos fracos dos estudo demográficos, levantar dados históricos que aparentemente são usados para contestar a teoria da evolução, mas que podem ser interpretados por estudiosos mais experientes. Ele sempre perguntava, “vocês não aprenderam história da Europa na escola?” (sempre com um tom cínico e sarcástico – que descobri rapidamente ser típico dele, com um leve movimento de boca para a esquerda).

18.11.11 – depois de uma noite com muita dor na garganta e com dificuldades pra dormir em virtude dela, acordei super tarde e fui atrás de uma casa, estava pela primeira vez desde minha chegada à Inglaterra, superatrasado! Mas consegui chegar ao local, e ver a casa e o quarto. Pareceram bons, vamos ver se fico com eles...