Pesquisar este blog

Deixe sua impressão sobre o Diário do Beagle UK

sábado, 28 de janeiro de 2012

28 de Janeiro


Eram nove e meia da manhã de uma segunda-feira nublada. A previsão era de chuva para todo o dia... A professora instruía a turma sobre os jogos. Ela costumava contar aos seus alunos como o jogo foi criado, o porquê das suas regras, antes de treiná-los para jogar propriamente falando. No entanto naquele dia, ela não parecia muito disposta. Estava ligeiramente impaciente, uma coisa incomum para uma professora tão atenciosa e carinhosa com os seus alunos.
Algumas dores lhe fisgavam o ventre, o que os alunos entre 5 e 6 anos puderam deixar de perceber, mesmo sem entender do que se tratava. “O que foi tia?”, perguntou uma menina. “Nada, a tia só esta com um pouquinho de dor, mas já vai passar”, respondeu a professora.

As 11h ela teve que dispensar a turma, pois as dores aumentaram em intensidade e diminuíram os intervalos entre uma fisgada e outra. Resolveu se sentar um pouco, pois sua barriga pesava, tomou um copo d’água. Dirigiu-se até o a sala dos professores e ligou para o emprego do marido, ele não estava, tinha acabado de sair para uma viagem de serviço. Avisou a diretoria que voltaria para casa, estava em trabalho de parto.

Morava numa casa pequena, construída no terreno da casa dos sogros. “O que foi minha filha?... Você pegou chuva?”, perguntou a sogra. “Chegou a hora”, retrucou a gestante. Começou, então a arrumar a mala do bebê, com fraudas, roupinhas, meinhas e luvinhas. Deixou cair uma lágrima, era sua mãe que fazia falta naquele momento, a mãe que ela perdeu quando tinha apenas 15 anos. Gostaria de vê-la hoje, gostaria de sentir segurança nos seus braços, afinal era seu primeiro filho, e sentia-se insegura. A sogra acariciou levemente os seus cabelos, expressando sem palavras, mas com um gesto simples e significativo: “Eu estou aqui com você”.

O seu pai não estava em casa, estava no trabalho, mas a madrasta informou que iria avisá-lo, assim que possível. Era hora de deixar a sua casa e ir para o hospital.
Passava das 13h quando a sua ginecologista deixou a sala da enfermaria, instruindo a future mãe e a future avó, sobre os procedimentos que deveriam tomar, principalmente, que ainda não era o momento, ela deveria aguardar mais um pouco. Enquanto isso, as contrações só aumentavam, tornavam-se insuportáveis.

Agora chovia forte lá for a, mal se podia ver o que acontecia do outro lado da rua. Sua irmã mais velha chegaria por volta das 15:30h, deveria ter ser atrasado com o temporal. A barriga pressionava-lhe a bexiga e sentia muita vontade de urinar. Sentou-se, ao que foi surpreendida por uma enfermeira. “Levante daí, seu filho pode nascer e bater com a cabeça no assento!”. Com medo, decidiu se deitar.
O relógio marcava 18:02, a chuva fazia uma pausa, sua irmã e sua sogra agora conversavam sobre vários assuntos para tentar distraí-la. No entanto, ela não ouvia a conversa, lembrava da mãe. Queria ter seu marido ao seu lado, e também seu pai. 

As 20h todos já estavam presentes, e a conversa era grande na enfermaria. Outras mulheres também em trabalho de parto estavam à espera, outras tinham acabado de voltar com o filho no colo, amamentavam os pequenos. Entre um assunto e outro segurava forte a mão do marido, era outra contração profunda.

As 21h, a sua medica veio verificar sua situação. “Ela já tem dilatação para a passagem do bebê. Vamos levar você agora”. Sentiu um frio imenso tomar conta do seu corpo. Parecia que tinha lhe faltado o sangue e não sabia onde estava nem o que estava fazendo. Todos lhe deram um abraço forte e lhe disseram que tudo ia dar certo, que ela precisava relaxar. Não teve anestesia, nem cesária, seria um parto normal, pois era melhor para ela e para o bebê. Com coragem, respirou fundo e disse para a médica: Ele quer nascer. Depois dos procedimentos médicos necessários, às 21h e 50min, nasceu seu filho, um menino chorão. Chovia muito lá fora, mais forte do que antes. A mãe cansada e o filho faminto, enfim, se encontraram depois de longos nove meses de espera. Olharam-se nos olhos, e isso era tudo.

O nome do bebê, a mãe já tinha escolhido a muito tempo. Teria o nome do pai. Independente do nome que fosse, se chamaria Júnior.
.
.
.
Te amo mãe!

4 comentários:

  1. Ai que lindoooooooooo!!! Fiquei tão emocionada amore!!

    ResponderExcluir
  2. Que linda história! Acho que, pela felicidade do dia, aqui em Belém só fez sol, muito sol com uns pingos de chuva só pra dar o gosto agora no começo da noite!

    Feliz aniversário!!!

    ResponderExcluir
  3. Mesmo com o nome do pai. É a cara da mãe.
    Lindo!!!!! Amei!!!!!
    Parabéns mais uma Jú.
    Beijos
    Manu

    ResponderExcluir
  4. "Escrevi" a história durante a ida pra universidade. Me deu um repente, quando cheguei, liguei o computador e escrevi. Hehe, ficou bom não foi?
    Brigado e bjos

    ResponderExcluir